O telefone de casa tocou e atendi:
Olá, Aqui é Leonardo Quintão candidato a Deputado. Fui candidato a Prefeito de BH e você deve se lembrar – disse a gravação.
Se me lembro? É claro que sim!
Me lembro do bordão “issodápáfazê”.
Me lembro da história do telefone do lado da cama, pra você, eleitor, conversar direto com ele.
Me lembro do futuro ex-prefeito junto de você, eleitor, dentro do ônibus no trânsito engarrafado.
Me lembro da proposta de governo retirada do Wikipedia.
Me lembro do fato do candidato não ter curso superior aprovado no Brasil, porque o curso que fez lá fora tinha carga horária inferior à exigida pelo MEC.
Me lembro também dele sequer saber deste detalhe, como também não sabia muito bem a diferença entre bandido comum e preso político durante a ditadura militar brasileira.
E o que mais você se lembra de Leonardo Quintão?
Bem, eu me lembro do seu pai, Sebastião Quintão, que além de manter trabalho escravo numa fazenda em Ipatinga, foi eleito e cassado pela justiça, isso depois de uma gestão já tão cheia de dúvidas.
Mas enfim, a gravação perguntou:
“Você votou em Leonardo Quintão? Vote agora!”
Não! Obrigado.
Fim.
A minha bunda, ninguém chuta!
Lembra disso?


