Música – Udora na Malhação

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Gustavo Drummond que me desculpe mas não posso ver isto e fingir que lá fora o céu ainda é azul e todas as pessoas são felizes. Infelizmente uma parte de mim morreu com este cartaz. Quando você é rockeiro e curte uma banda alternativa adora escarçar as bandas comerciais, os programas de auditório, as rádios FM e todo o seu público iludido. Mas quando você descobre que esta banda também precisa ganhar dinheiro e que lá no fundo ela também é comercial, é um choque. Você começa a questionar a própria vida. Mas é necessário saber separar as coisas. Dentro deste universo de influências, mídia, modismo, panelinha, dinheiro, imposição e até sorte, ainda é possível a uma pessoa de bem identificar características interessantes como inteligência, bom senso, criatividade e talento no meio musical. Quando estas características encontram a oportunidade e nasce um sucesso, tudo bem, abrace a causa. Agora, quando a coisa é planejada, manipulada e empurrada fica difícil de engulir. Com relação ao Udora eu não sei dizer o que aconteceu. Esta trilha de Malhação não deixa de ser mérito deles e “bom” pra carreira, mas o que acontece é que eu me cansei. Cansei de dar colher de chá. Cansei de esperar as coisas melhorarem. Cansei de tentar entender o lado dos caras. Eu não quero saber o lado dos caras! Eu não quero rock de butique nem de faz-de-conta.

Mas porque de toda esta raiva e agonia? Porque não simplesmente ignorar o fato igual ignoramos tanta gente horripilante que cruzamos por aí? Para entender precisamos voltar alguns anos e encontrar outra banda: O Diesel. Em 2001, antes do Rock In Rio (no Rio) rolou uma tal de “Escalada do Rock” que era uma disputa entre bandas independentes de todo o Brasil para ver quem iria tocar no Palco Mundo do festival. Para minha surpresa a banda que estava liderando a parada era de Belo Horizonte e tinha um som furioso. Era o Diesel. Para alegria de todos os Belorizontinos a banda ganhou e teve o privilégio de tocar no mesmo palco aonde no mesmo dia ainda tocariam Deftones, Silverchair e Red Hot Chili Peppers. Eu estava presente naquele momento e fiquei impressionado com as pessoas que estavam na frente do palco com cartazes e camisetas dando o seu apoio aos amigos que chegaram ‘lá’. Rapidamente busquei mais informações e descobri o álbum que justificava tanta algazarra, era o primeiro e único CD do Diesel. Uma bomba, uma granada, uma belezura!

O que aconteceu então neste meio tempo para chegarmos até aqui? Bem, os caras se recusaram a assinar com uma gravadora (conforme ‘prêmio’ pelo Rock In Rio), foram morar nos Estados Unidos e tiveram que mudar de nome (virou Udora), lançaram mais um ótimo disco (Liberty Square), brigaram entre si, voltaram pro Brasil, teve troca de integrantes(*) e anunciaram que iriam cantar em português. Pouco tempo depois chegou às lojas o GoodbyeAlô.

Hoje quando escuto o velho Diesel sinto felicidade em saber que se trata de outra banda e ouvindo o Liberty Square sinto penar pelo fato de terem resolvido manter o nome.

Mas nem tudo está perdido, no GoodbyeAlô  algumas faixas são ouvíveis e pelo menos credibilidade comprovada os caras tem. Nos resta agora acompanhar os acontecimentos e esperar que algum dia estes iluminados mineiros possam recobrar o juízo e consciência antes que chegue o dia onde eles vão precisar “colocar uma loira e uma morena em cada canto do palco“(**).

(*) Jean Dolabela abandonou o posto de baterista e foi substituir Igor Cavalera no Sepultura.

(**) A frase foi dita pelo próprio Gustavo Drummond (vocalista) no Rock In Rio quando ele, em discurso, se vangloriava do sucesso alcançado com a banda sem precisar apelar. Curiosamente não achei o video no youtube…

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2 Respostas to “Música – Udora na Malhação”

  1. thiago Says:

    é de cortar o coração mesmo. Eu já ouvi esta frase tantas vezes que até chego acreditar que essa “globalização” da música dos caras num é verdade.

    “É com muito orgulho que a gente ta tocando aqui hoje! Eu queria agradecer a oportunidade de ter tocado pra vocês. A gente chega até aqui com o peso de ter sido nos últimos 3 anos uma banda independente, que tocou pra caralho pelo Brasil, passou por poucas e boas e ta aqui hoje, com o senso de integridade musical intacto, fazendo único e exclusivamente o que a gente gosta e sem precisar de por uma lôra e uma morena em cada canto do palco rebolando em cima de uma garrafa. É isso ae! Muito obrigado a vocês! Essa música se chama PLASTIC SMILE!”

    • bussainchains Says:

      Falou e disse meu caro, a frase foi exatamente esta. Se no dia foi de arrepiar, olhando hoje, arrepia muito mais.
      Abraço!

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