Cinema – Última Parada 174

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O cinema é uma arte poderosa que quando usada com consciência pode ajudar um povo ou sociedade a perceber e compreender os próprios problemas. E é se analisando (o país) que o Cinema Nacional vive seu renascimento triunfal.

Em Cidade de Deus foi mostrado o lado da bandidagem no tráfico. Em Tropa de Elite o lado da polícia no tráfico. Em Meu Nome Não É Johny a elite traficante. Em Central do Brasil, a pobreza e miséria geral.

Todos estes filmes mostram uma pequena face de uma grande realidade social brasileira que deve ser compreendida e combatida por todos. Enquanto membros desta célula não podemos ignorar a dura condição subhumana de milhares de pessoas. Não por caridade, mas porque elas também como elemento tem o poder de atuar nas nossas vidas e impor, à sua maneira, a sua dor e desespero que ignoramos. Como resultado de anos de descaso, somos vítimas da violência urbana que enche os jornais e floresce no cinema.

Última Parada 174 já nasce clássico. É triste e irônico pensar que o filme é lançado justamente na semana que o país acompanha mais um caso de cárcere privado ao vivo pela televisão. No caso real do ônibus, quem acompanhou o martírio ao vivo pela tv, deve agora assistir o outro lado da história. Não que o crime se justifique, mas vendo as causas tão explícitas na nossa cara, fica difícil não absolver Sandro e imaginar que o destino poderia ter um final diferente do que teve.

O filme mostra o lado dos meninos de rua. Os pivetes. Apenas mais uma realidade dentro de um universo de tragédias. Uma peça que ainda falta para integrar o complicado quebra-cabeças do nosso quadro social, seria a figura do traficante. Aquele super-star da favela que no Rio de Janeiro dá ordens de dentro da prisão e elege candidatos numa eleição. Se eu fosse escolher uma obra com este tema para ser adaptada ao cinema, escolheria o livro Abusado de Caco Barcelos e se não me engano, já existem rumores de que a filmagem está a caminho. Ficamos na torcida.

Para terminar gostaria de postar a letra da música Futuro do País do grupo Planet Hemp que não saiu da minha cabeça durante o filme:

De dia à procura de comida
a noite um lugar pra dormir
carrega no corpo feridas e ainda consegue sorrir
dizem que o nosso país não vai mal
porque o povo ainda faz carnaval
mas os pequenos e mal amados não compartilham da mesma visão
há tristeza no seu coração
vivem à margem do nosso país
assaltando e ferindo quem passa
tentam gritar do seu jeito infeliz
que o país os deixou na desgraça
são alvos de uma justiça que só sabe falar
será que a solução é exterminar?
Herodes não morreu e hoje os dias estão piores
esterelização em massa e chacina de menores
mas eu queria somente lembrar
que milhões de crianças sem lar são frutos do mal
que floriu num país que jamais repartiu (pátria amada Brasil)

Abaixo imagens reais do desfecho do sequestro do ônibus, mas só aconselho a ver quem ainda não viu o filme ou não se lembra.

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Uma resposta to “Cinema – Última Parada 174”

  1. Flávia Says:

    Bom, eu assisti ao filme e confesso que gostei muito e concordo com o escritor. Realmente se nao fosse o meio em que ele vive seu destino poderia ter sido diferente.
    Os filmes brasileiros vem se superando cada vez mais.
    Adorei!! E recomendo.

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