Rodinha de violão

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De todos os rituais que a boêmia me trouxe a famosa “rodinha de violão” é dos mais lindos e admiráveis. Se mal sucedida pode ser uma experiência traumática e vexaminosa, mas se bem executada torna-se um marco na vida de todos os presentes.

A rodinha de violão tem basicamente dois grupos de integrantes, ‘tocadores’ e ‘cantores’.

Os cantores se dividem em: amigo do violeiro, toca aquela”, toca qualquer coisa e, claro, toca Raul! Já os violeiros podem ser divididos em: “esforçado“, “bom de serviço“, “metaleiro“, “profissional” e  come quieto“.

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Amigo do Violeiro

Ele é quase um irmão. Conhece o repertório do violeiro de cor e pede as músicas certas na hora certa. Canta junto e puxa a galera. Os dois ficam em sintonia perfeita fazendo os demais parar para assistir.

Toca Aquela

Este é um admirador de música e de rodinhas. Pode se dividir no subgrupo dos chatos (que pede músicas fora do contexto mas faz isso porque também quer cantar) e dos especialistas (que pedem a 3ª música do 2º disco de tal artista a fim de testar o violeiro).

Toca Qualquer Coisa

Este sujeito gosta é de festa. Ele está ali no meio por falta de opção e enquanto o violão estiver cantando ele está curtindo, mas basta uma pausa mais prolongada à procura da próxima música que lá vem ele com sua impaciência. Por ele era melhor ligar o som e abafar o violão.

Toca Raul

O verdadeiro Toca Raul é quase sempre um xiita que estuda a vida e obra de Raul Seixas 24hrs por dia e não aceita nada que não seja parte de sua obra. Com isso ele dá o grito sempre que pode. Mas vamos incluir também aqui a galera do Toca Legião. Geralmente são pessoas que tem medo de errar e na dúvida vão sempre no garantido.

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Esforçado

Adora música, adora festa, adora rodinhas mas… talvez não tenha feito bem o dever de casa. Talvez falte o talento, o touch, o groove, o suingue. Ele esbanja disposição e dá a cara a tapa mas nem sempre o resultado é agradável aos ouvidos.

Bom de serviço

Este é o cara! Boa praça, amigo da galera, gente boa. Dono de um repertório invejável capaz de tocar por horas sem vacilar ou gaguejar. Quando você pensa que não, ele saca aquela música maravilhosa e faz todos se emocionarem. Também domina a arte do improviso, quando não tem uma cifra na cabeça pede uns dois acordes pra moçada e encaixa o resto na base do “na hora rola”.

Metaleiro

Por mais simpático e bem intencionado que um metaleiro seja, na hora da rodinha ele costuma ficar meio deslocado. Não adianta vir com riffs ou solos, o que funciona mesmo são três acordes e uma boa dose de interpretação (que vai ser calibrada de acordo com o álcool disponível). Ainda assim uma rodinha dedicada ao metal terá a sua glória caso o violeiro seja realmente muito bom, cante e esteja com a música ali na ponta do dedo. Essa história de parar e ficar lembrando riff mata qualquer vestígio de magia que possa ter rolado no ar.

Profissional

Cara nasceu pra isso e possivelmente em algum momento da jornada já montou uma banda ou pensou em viver de música. Se é que não vive. Não faz questão de tocar todas ou atender a pedidos mas quando pega no violão e solta a voz não tem pra mais ninguém. Costuma arrancar lágrimas dos mais aflitos e comover os desavisados. Acordes perfeitos, solos vocais, batuques e gogó possante. Tudo isso sem suar a camisa ou desafinar, faz parecer fácil e é bonito de ver.

Come Quieto

Chegamos no meu caso (confesso), não por esconder o jogo ou amarrar mixaria, mas o violeiro come quieto gostaria de ser o bom de serviço. Falta a ele um “quê” de disposição e até talento. Muitas vezes tem um repertório razoável mas quando em situações de estresse ou cobrança fica apavorado e não lembra de nada. Não é desculpa para pular a vez. Diante do perigo o branco toma conta e tudo que ele quer é ir pra casa chorar. O que fazer então? Vá devagar e pelas beiradas. Peça aquela música que você tem certeza que ele sabe (não vale achar que tem certeza), cante com ele. Encha o copo dele. Sirva-o. Uma dosinha mais quente também ajuda a relaxar. Se tudo der certo e a coisa começar a rolar, a noite vai ficar pequena e o come quieto passará a encarnar a personalidade de todos os demais violeiros. Subtamente passeia de Fio de Cabelo a Master of Puppets, sem contar a recém adquirida arte do improviso.

E assim acontece e assim tem sido. Diante de um mundo artificial às vezes a felicidade está muito mais perto do que imaginamos bastando para isso um violão, uma cerveja e bons amigos.

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2 Respostas to “Rodinha de violão”

  1. Fred Bitt Says:

    ô bobo, sabe que percebi agora que seu feed tá com algum problema? tendo mais notícias avisarei. no mais, sem mais.

  2. Allôncio Says:

    Estamos juntos nessa:
    “…cante com ele. Encha o copo dele. Sirva-o. Uma dosinha mais quente também ajuda a relaxar…”
    Acho que estou mais pra ‘come quieto’: mineiro kes fala né?!
    E concordo que esse é um dos rituais (rodinhas de violão) mais admiráveis!
    Se for ter alguma, me chame!

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