O fim do Natal

by

poornoel

No início, com a supremacia da Igreja Católica, o Natal tinha um significado religioso. Época de renascimento, de esperança, de perdoar, de reunir, de celebrar e de relembrar os ensinamentos do patriarca Jesus Cristo.

O comércio, percebendo o grande potencial, transformou a data numa festa da economia. Desta forma escuta-se falar de ‘bom natal‘ ou ‘mal natal‘, tudo de acordo com as vendas.

A estratégia do mercado funcionou muito bem durante décadas, a avassaladora quantidade de propaganda pregam que VOCÊ DEVE presentear quem você ama. Se não presentear, não ama. Ou seja, se você não ganhar presente não é querido e se não der, meu Deus, o que pensarão de ti? Seu egoísta!

Não é nem preciso dizer que o significado religioso ficou pras cucuias. O negócio agora é dar e receber presente. Mas acontece que o comério abusou. Justamente na época de Natal os preços iam lá em cima, e como ninguém quer ousar não presentear, compram assim mesmo.

Com o tempo o povo foi aprendendo a lição. Passada a euforia do Natal as lojas costumavam fazer liquidação e abaixar os preços para se livrar dos estoques encalhados. Quem estava apertado, ou era mais esperto (ou sem coração) dava só um abraço no Natal e dizia ‘o presente vem depois‘.

Muito bom, o problema é que boa parte da população começou a fazer isso então o que fez o varejo? Não abaixam mais os preços! Ou seja, passa o Natal e continua tudo a mesma coisa.

Mas o povo não fica pra trás, qual a arma de contra-ataque? Parar de comprar presente! Isso mesmo. Uma tradição de longa data, que é trocar presentes no Natal, já está dando sinais de declínio. Não vamos mais ganhar nem receber e ninguém vai ser crucificado por isso, afinal de contas todo mundo sabe da crise, da dificuldade e tal.

Se não tiver presente, Natal vai servir pra que? Reunir a família! Viva a ceia, a festa, a bebedeira.. Olha, e num é que fica até mais simpático assim? Mas pode esperar, que o monstro do capitalismo não vai deixar barato. Alguma outra alternativa para lucrar vão encontrar.

Talvez aumentem o preço dos alimentos nesta época, e então a ceia estará comprometida. O povo pára de comilança e mantém apenas o encontro com churrasquinho de gato. O monstro vai e aumenta gasolina, passagem aérea, terrestre, pedágio e tudo que envolva deslocamento. E desta triste forma então, as pessoas páram de se encontrar.

Estaremos perdidos? Será o fim do Natal? Uma alternativa para driblar o problema seria cada família fazer a sua festa em uma época própria. Nasceria assim o NATAL FORA DE ÉPOCA.  Excelente! E a festa como conhecemos talvez ressuscite no terceiro dia, digo, milênio.

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