Los Piratas

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Hoje estava conversando com um primo (irresponsável) que foi pai recentemente e descobri que justamente hoje sua filha completava 2 anos de idade. Pensei em mandar um presente, um CD, algo clássico que tivesse significado para mim e que pudesse ser descoberto por ela um dia. Talvez um Iron Maiden, Metallica… não! Led Zeppelin. Isso! Perfeito! Fui então ao shopping com a árdua missão de comprar um CD de presente.

Tão logo entrei na loja vários sentimentos me tomaram. Aquela vasta quantidade de CDs, artistas, estilos, shows, tudo separado por ordem alfabética ou, ‘Cantor Nacional‘, ‘Grupo Internacional‘. Me deliciei passeando pelas prateleiras e re-descobrindo um antigo hábito gostoso de vagabundar em lojas de discos.

Flertei com Death Magnetic do Metallica, um ao vivo do Iron, Nirvana Acústico… tudo na faixa dos 30 e poucos reais. De repente ele me saltou aos olhos, Led Zeppelin – Mothership. Não era um simples CD, era uma coletânea histórica. Disco duplo + DVD com material bônus. Essa coletânea (mais uma na discografia do Led) foi lançada em 2007 na época que fizeram o tal show em Londres após 30 anos do fim da banda. Perfeito, além de tudo o CD tinha história. Na etiqueta tinha um número que dizia 3196, pensei, ‘comeram uma vírgula aí e o preço deve ser R$31,96 ótimo!’. Não era lá “de graça” mas estava um bom preço para CD duplo + DVD.

mothership

Já ia ao caixa pagar quando passei por um ‘box‘ do Led Zeppelin com 10 CDs, edição de colecionador. Meu coração arrepiou e fiquei com medo de perguntar o preço. Minha namorada foi mais rápida e perguntou: POW! R$599,00! Que??! Vamos embora rápido!! E o vendedor ainda veio com uma conversa assim “mas são 10 CDs e a caixa é importada…“. Antes que eu me precipitasse ela emendou na pergunta o preço daquele CD Mothership que estava em minhas mãos. Pra que? “R$196,00” – disse o vendedor quase sorrindo. “Pra saber o preço você tira o ‘3’ da frente na etiqueta“. Foi assim que descobri que aqueles outros CDs (Metallica, Nirvana) que eu achava que estavam na casa dos 30, eram na verdade 40 e poucos reais. Larguei o CD(*), larguei o presente e saímos da loja filosofando.

Em plena época da pirataria as lojas ainda praticam preços abusivos como estes? Então vocês vão me desculpar, mas a pirataria deve continuar até fecharem todas as lojas de CD do mundo. O custo de um CD pra uma gravadora que estampa milhares de álbums, deve ser na casa dos centavos, e ainda assim o preço não é repassado ao consumidor. Quanto mais a tecnologia se desenvolve (e o preço de fabricação cai) mais caro fica o CD.

Dizem que o dinheiro da pirataria é o mesmo dinheiro do tráfico. Mas, antes de falarmos dos horrores pirata, vamos falar dos horrores da sociedade de consumo e de um grupo de empresários (e nem sempre os artistas) que se beneficiam com o mercado convencional de música.

O Lobão foi um dos primeiros a criticar as gravadoras, alegando que os números que elas revelam são maquiados, uma vez que os CDs não são numerados. Na prática o que acontece? Se a gravadora diz que um artista vendeu 100 mil cópias, paga a ele os direitos referente a este valor mas na verdade (é provável) que tenha vendido um número infinitamente superior.

Mas isso não é problema meu! Não é problema seu! É problema dos envolvidos. O que é problema meu? Pagar 30 reais num CD.

A pirataria tem os seus prós. Não fosse a pirataria o preço de um CD jamais iria baixar e sabe o que segura os preços hoje? O fato das pessoas terem escolha. Esta loja que eu citei foi um caso infeliz que vai na contra-mão da tendência que é, arranjar um meio mais justo (para todos) de compartilhar música.

Graças a MP3 e a internet, e ao Napster e às redes P2P foram desenvolvidos os sistemas ITunes e MySpace. Muito bom, agora sim estamos falando de evolução e de futuro. Não fosse esta imposição que veio de baixo as gravadoras nunca iriam evoluir do CD e DVD convencionais e com preços alegóricos.

O engraçado é que ninguém comenta este outro lado da história. Só o Lobão. Graande Lobão! Essa semana vi duas reportagens sobre o assunto, a primeira comentava sobre um grupo de jovens extremamente corretos que jamais compraram um CD pirata ou baixaram música na internet (e certamente tem um belo paitrocínio). A outra dizia que o brasileiro ainda não tinha tomado consciência dos malefícios da pirataria uma vez que a mesma continua crescendo.

Perguntaram às pessoas que não consomem produto pirata, o porque de não fazê-lo e elas responderam que era por falta de qualidade e de garantia. A repórter então analisou o caso como uma lástima, uma vez que, as pessoas que compram em lojas só o fazem para ter qualidade e garantia e não por terem a ética de não consumir pirata. Agora, você vem me falar de ética unilateral? Qual é a ética do abuso e de artitas e empresários bilionários?

Não defendo a pirataria como um todo. Só acho que esta existe porque é uma resposta da sociedade contra a imposição das políticas abusivas de consumo.

Hay que endurecer!

(*) Mais tarde encontrei o mesmo Mothership (desta vez só os CDs, sem DVD) por R$29,90… justo.

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