Cinema – Titãs – A vida até parece uma festa

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CARTAZ TITAS

Assisti na pré-estréia nacional no Festival de Cinema de Tiradentes. Filme ao ar livre em praça pública. Antes de começar a sessão o diretor falou um pouco sobre o projeto, sobre a banda, sobre o Branco Mello e ainda ganhou um troféu do Festival pela sua participação.

No início dos anos 80, também no início da banda, Branco Mello (vocalista) comprou uma câmera VHS e começou a registrar os bastidores da sua vida e do conjunto. Filmou tudo que tinha direito por quase 30 anos. Esse material virou o documentário Titãs – A vida até parece uma festa que faz justiça a uma das maiores e mais importantes bandas brasileira.

Quando eu comecei a acompanhar o cenário musical achava o Titãs uma banda farofa de pop rock. Era na época do disco Domingo. Um belo dia vi uma entrevista do Sepultura dizendo que a música Polícia (que eles haviam gravado) era na verdade do Titãs. Fiquei encabulado, resolvi perguntar a um primo mais velho o que havia acontecido. Ele disse que o Titãs foi simplesmente a banda que ele mais curtiu na vida e que tem todos os discos, quer dizer, todos MENOS o Domingo que foi quando a coisa desandou. Veio então o Acústico MTV que foi um excelente álbum, repleto de clássicos e ótimas versões de músicas consagradas. Foi um sucesso arrebatador. Na época vi uma entrevista com alguém da banda dizendo que agora eles viam “os erros do passado“. Aquilo me deixou preocupado, como assim os erros? Quer dizer que o que estava por vir seria melhor? Duvido. E o que veio? Acústico II e mais um monte de farofinhas bonitinhas de novela junto com outras músicas fracas e bobas.

É, o Titãs havia acabado. A saída de Arnaldo Antunes foi um golpe quase fatal mas, talvez, Nando Reis ainda segurava as pontas. Quando este resolveu sair o Brasil também abandonou o Titãs. O lado triste é que muita gente quando escuta a banda hoje, nem sonha com a importância e influência que eles disseminaram no passado. Eu, por causa dos meus primos metaleiros, ficava com aquela pulga atrás da orelha querendo redescobrir a maior banda de rock pesado brasileira dos anos 80 e assim fui atrás dos discos Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas.

titasfilme2

Muito bom, mas para entender mesmo o cenário completo da coisa, só se habituando no espaço/tempo em que tudo aconteceu. Era preciso voltar no tempo, voltar aos anos 80, sem computador, sem internet, sem celular, sem tv-a-cabo e o mais importante, saindo de um regime militar para aí sim entender o que foi o Titãs. O Brasil precisava e merecia uma banda com a inteligência, ousadia e irreverência do Titãs. Inteligência esta que estava presente nas letras e atitudes de Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Brito, Marcelo Fromer, Nando Reis, Tony Beloto, Paulo Miklos e Charles Gavin. 8 músicos, 8 vocalistas, 8 letristas, 8 artistas.

Titãs no inicio com antigo baterista

Titãs no início

O documentário vem lançar luz sobre aqueles anos dourados e talvez explicar as transformações pelas quais cada um veio passando até mudar tudo para o que é hoje. Entendendo o filme e evoluindo com os caras é mais fácil aceitar e compreender a mudança no som e na postura de letra e melodia daquele bando de moleques rebeldes que viraram homens e constituíram família.

Sobre os momentos históricos contemplados no filme há uma infinidade de imagens maravilhosas como os Titãs no Rock In Rio 2, na TV Tupi, no Qual É a Música do Sílvio Santos, no Perdidos na Noite do Faustão e por aí vai. Tem uma participação no início da carreira de Gugu Liberato que mostra que os seus programas sempre foram uma grande besteira. Tem também uma participação na Hebe que lembrou uma cena de Austin Powers quando eles voltam no tempo e todos estão muito mais novos, com exceção de uma senhora que já era velha no passado. Desta forma, quando mostram o programa de Hebe em 1980 e qualquer coisa, ela está exatamente igual hoje em dia hehehe.

Outro ponto alto do filme é uma declaração de Roberto Carlos se manifestando sobre o desejo de tocar com o Titãs. E um momento triste, como não poderia deixar de ser, a morte do guitarrista Marcelo Fromer em 2001.

Cheio de sucessos, o público presente se emocionou bastante com o filme dançando, cantando e revivendo cada canção. O documentário veio fazer justiça e cobrar respeito a banda mais inteligente e áspera dos anos 80 mas não revela nada a respeito do futuro afinal de contas, o Titãs acaba de se tornar mais uma vez A Melhor Banda de Todos Os Tempos Da Última Semana.

TRECHO FILME

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3 Respostas to “Cinema – Titãs – A vida até parece uma festa”

  1. Flávia Campos Says:

    Bom, são oito artistas mas vc só colocou 7. Esqueceu o Tony Belloto…
    A foto que mostrando os artistas no iníco, salvo engano tem o atual baterista que é o que está de vermelho!!!! Estou enganada???? No filme me lembro de ter visto o de vermelho como o novo e agora atual baterista… bom não sei.

    No mais, o filme me surpreendeu, pois foi Maravilhoso e emocionante!!!!
    Vale a pena conferir!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Ralfer Says:

    Cara, nunca gostei muito de Titãs. Mas, percebo sim a importância do grupo na formação do novo rock nacional. Eu concordo com você, quando afirma que é uma das bandas mais importantes da década de 80; desde que seja lembrado com mérito, também, da Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Kid abelha, Radio Taxi, Aborto Elétrico, Biquini Cavadão (etc). E se fui no Clube do Chacrinha, “É Sucesso”! ehehehe Abraçao e parabens pelo blog. Ralfer

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