Carteira permanente de inimigo

by
mv

Especial jornal Hoje em Dia

"De fato, mais magro e mais arredio, mas sem proteção especial ou segurança,
pelo menos ostensiva, o empresário Marcos Valério já não teme a morte, depois
de vê-la passar quatro vezes pela cela especial em que estava preso como
 “ad” – à disposição – na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo. 

Embora circulando de forma discreta, mas normalmente, por Belo Horizonte, a
bordo de um carro nacional preto, um Vectra, de vidros escuros, Marcos Valério
treme quando lembra os 98 dias em que ficou na cela 101 do presídio paulista e
é capaz de dizer para si mesmo : - não tenho mais medo da morte. O que não o
impede de recorrer regularmente a uma psiquiatra, a dra. Adriana Vieira, em Belo
Horizonte, onde busca apoio para superar o inferno que viveu no presídio, a tensão
dos dias atuais e a tentativa de superar traumas que o impedem de retomar uma vida
normal, até mesmo em casa. 

Marcos Valério já não tem o sorriso fácil da época em que frequentava quase diariamente
um restaurante de comida italiana na Rua Sergipe, no coração da Savassi (Zona Sul de
BH). Nem poderia. Seus dentes da frente foram quebrados durante uma das surras que
tomou de presidiários do Tremembé, recuperados – os dentes – por próteses provisórias
que não o livrarão, contudo, de um implante ósseo para recomposição de parte do alvéolo
superior. Nem poderá eventualmente tirar a camisa em público. Se fizer isso, exibirá dois
cortes à altura das costelas, por onde lhe enfiaram dois estiletes e um afundamento perto
da coluna, produto do espancamento com um pedaço de cano.

Quando lembra de tudo isso, Marcos Valério chora.O empresário foi preso, com dois
advogados, também mineiros, em outubro do ano passado sob a acusação da Polícia
Federal de integrar uma quadrilha que praticava extorsão, fraudes fiscais e corrupção em
São Paulo. 

Conhecido nacionalmente depois de acusado de operar o mensalão, um até agora
mal explicado sistema de arrecadação de dinheiro para financiar as bases de apoio 
do Governo federal, Marcos Valério confirmou a pelo menos um dos que estiveram 
com ele na prisão que foi espancado, pelo menos, quatro vezes por presidiários de 
Tremembé, razão das marcas no corpo, mas nega que as agressões tenham sido 
praticadas por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização a 
que recorreu, admite reservadamente, mas para evitar ser morto no presídio – 
estranho presídio, cuja cela em que ficou o empresário foi aberta quatro vezes, pelos
detentos para agredi-lo em busca de informações sobre o paradeiro de uma misteriosa
gravação de um DVD, supostamente contendo revelações capazes de derrubar a 
República. 

A um dos que, com ele, foram presos, o empresário narrou detalhes das agressões. 
Ele e mais quatro acusados no processo número 2008.61.81.014611-3, da 6ª Vara 
da Subseção Judiciária de Santos (SP), ficaram juntos na cela 101 do presídio. Os 
quatro saíam de manhã para trabalhar. Marcos Valério, incluso, ficava “ad”, isto é, à
disposição. Quando ficava só, Marcos Valério tinha a sua cela aberta por quatro outros
presos que o espancaram no primeiro, no terceiro, no quinto e no sétimo dos dez dias 
em que ficou nesse regime especial de reclusão."



"Eu assinei a pena de vida
Sou a favor da pena de vida
Se o sujeito cagou,
pisou na bola,
tem que resolver aqui nao pode sair fora.

Tem que encarar de cara a cara
Cortou com o barato paga caro
Mas paga vivo.

E vai correr, correr, correr,correr...
e vai correr perigo.

E vai correr, correr, correr,correr...
e vai correr perigo.

Sabendo que comprou uma
carteira permanente de inimigo"
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