Perdidos no Rio

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Surfando na net encontrei um texto no blog (blog chic na Veja!) de Tony Beloto falando sobre as artemanhas, malandragens e sacanagens do trânsito carioca. Carioca é malandro né? Veja bem, malandragem é a arte de levar vantagem, geralmente, em cima dos outros então fiquemos alerta.
Resolvi hoje contar a minha breve experiência de dirigir no Rio de Janeiro. Algumas pessoas (não citemos nomes por questões de privacidade alheia) já nos esperavam na cidade foi assim que eu e M.G.M (23 anos?) pegamos a BR-0-esburacada-40 em direção à cidade maravilhosa. 
A primeira coisa que me chamou a atenção, além da grandeza da linha vermelha e do fato daquele lugar ser constantemente vedete de manchete de jornal com bala perdida, foi o cheiro insuportável de uréia que tomou conta do carro. Bela recepção! Mas nossos amigos estavam no Cristo e pra lá nos dirigimos.
Mapinha na mão, Redentor no horizonte e acho melhor perguntar um nativo. Cheguei pro taxista e disse:
-Amigo, Cristo Redentor, como faço?
-Ih ai, faishhx o xeguinte, tá vendo aquela avenida ali atrás? Dá uma ré aqui, pega ela e boa!
-Dar ré aqui?? Você está louco meu rei?? Como dou a volta?
-Todo mundo faishhxx isso aih.. mas se for dar a volta é direita, direita.
-ok!
Anda, anda, anda e perdemos de novo. Neste meio tempo cruzamos um sem fim de “salve-se quem puder”. É carro atravessando ônibus que segue taxista e motoboy pra todo lado. Sinal vermelho e as outras sinalizações eram formalidades secundárias. Tudo bem.
Peguei uma pista marginal (com passagem para apenas UM carro) e encontrei outro cidadão estacionado e querendo dar ré:
-Ô queridão! Cristo tá longe daqui?
-Brother, vou passar lá perto, me segue aí!!
E saiu dando ré.
-De novo?? Ah não assim fica difícil demais. 
Foi então que um carro iluminado parou do meu lado e um casal simpático disse:
-Vocês estão perdidos?
Hmm, de repente a cautela e o pé-atrás mineiro me fizeram pensar. Lembrei dos noticiários, da violência, dos oportunistas, chantagistas, bandidagem, malandragem e sem mais muito pensar disse:
-Sim! Vamos ao Cristo…- com quase lágrimas nos olhos
-Vocês são de onde? 
Ai meu Deus, porque isso agora? Já não raciocinava e no embalo respondi:
-De Minas.
-De Minas?? Ela também é!! Levamos vocês lá, segue aí.
Não sei porque senti que podia confiar nos dois. E assim eu e M.G.M seguimos os simpáticos estranhos até perto do Cristo, não sem antes ficar perdidos mais umas vez, mas no final deu tudo certo.
E a moral da história?
Nenhuma. Só sei que foi assim.

 

crist

Surfando na net encontrei um texto no blog (blog chic na Veja!) de Tony Beloto falando sobre as artemanhas, malandragens e sacanagens do trânsito carioca. Carioca é malandro né? Veja bem, malandragem é a arte de levar vantagem, geralmente, em cima dos outros então fiquemos alerta.

Resolvi hoje contar a minha breve experiência de dirigir no Rio de Janeiro. Algumas pessoas (não citemos nomes por questões de privacidade alheia) já nos esperavam na cidade foi assim que eu e M.G.M (23 anos?) pegamos a BR-0-esburacada-40 em direção à cidade maravilhosa cheia de encantos mil. 

A primeira coisa que me chamou a atenção, além da grandeza da Linha Vermelha e do fato daquele lugar ser constantemente vedete de manchete de jornal com bala perdida, foi o cheiro insuportável de uréia que tomou conta do carro. Bela recepção! Mas nossos amigos estavam no Cristo e pra lá nos dirigimos.

Mapinha na mão, Redentor no horizonte e acho melhor perguntar um nativo. Cheguei pro cidadão e disse:

-Amigo, Cristo Redentor, como faço?

-Ih ai, faishhx o xeguinte, tá vendo aquela avenida ali atráishx? Dá uma ré aqui, pega ela e boa!

-Dar ré aqui?? Você está louco meu rei?? Como dou a volta?

-Todo mundo faishhxx isso aih.. mas se for dar a volta é direita, direita.

-ok!

Anda, anda, anda e perdemos de novo. Neste meio tempo cruzamos um sem fim de “salve-se quem puder“. É carro atravessando ônibus que segue taxista e motoboy pra todo lado. Sinal vermelho e as outras sinalizações eram formalidades meramente secundárias. Tudo bem.

Peguei uma pista marginal (com passagem para apenas UM carro) e encontrei um taxista estacionado e querendo dar ré:

-Ô queridão! Cristo tá longe daqui?

-Brother, vou passar lá perto, me segue aí!!

E saiu dando ré.

-De novo?? Ah não assim fica difícil demais. 

Foi então que um carro iluminado parou do meu lado e um casal simpático disse:

-Vocês estão perdidos?

Hmm, de repente a cautela e o pé-atrás mineiro me fizeram pensar. Lembrei dos noticiários, da violência, dos oportunistas, chantagistas, bandidagem, malandragem e sem mais muito pensar disse:

-Sim! Vamos ao Cristo…– com quase lágrimas nos olhos

-Vocês são de onde? 

Ai meu Deus, porque isso agora? Já não raciocinava e no embalo respondi:

-De Minas.

-De Minas?? Ela também é!! Levamos vocês lá, segue aí.

Não sei porque senti que podia confiar nos dois. E assim eu e M.G.M seguimos os simpáticos estranhos até perto do Cristo, não sem antes ficar perdidos mais umas vez, mas no final deu tudo certo.

E a moral da história? Nenhuma!

Só sei que foi assim…

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