Tragédia ao vivo

by

airf

Eu tenho medo de andar de avião. Não é aquele medo irracional que me faria trocar a nave por um ônibus mas sim a constatação de que, ao menor incidente, as chances de tragédia esbarram na totalidade.

Na verdade ultimamente eu tenho andado com medo de qualquer meio de transporte. De elevador a avião. Estrada então nem se fala. É buraco, pista mal feita e, o pior de todos, imprudência, egoísmo e pura irresponsabilidade.

Nestas horas vem a estatística trazer conforto. É mais seguro andar de avião do que de ônibus. Fato. Mas mesmo assim… Na última vez fiquei pensando, como será uma tragédia aérea? E se o avião cair no mar? E se explodir? E se cair no chão? Bater num prédio? Teria tempo de ligar para alguém e dizer o quanto estou arrependido de não dizer tudo que sinto? Teria tempo de ligar para as pessoas queridas e dizer “eu te amo, mas terminamos aqui”? Teria tempo sequer de segurar a mão da minha companheira ao meu lado? Olhar nos olhos e tentar abraçá-la nem que fosse para fazer meu corpo de escudo? São pensamentos tão cruéis que preferimos não levá-los adiante. Se tiver que ser, será.

No acidente da Gol que caiu na Amazônia, dizem que a descompressão da aeronave foi tão abrupta que matou todos antes do avião atingir o solo. Será que os presentes tiveram consciência da eminência da morte? Isso é bom ou ruim?
São questionamentos sem resposta.

Mas a questão agora é outra. Estamos em tempos de tragédia ao vivo. Pouquíssimo tempo após o acontecido as manchetes já circulam o globo. Neste caso em especial temos uma agonia extra, é o fato das notícias não estarem sequer prontas. Acompanhamos as novidades em tempo real e, na medida do possível, ficamos na torcida.

Podem estar todos vivos ou todos mortos. O detalhe agoniza o mundo e em especial aqueles que aguardavam o telefonema dizendo “cheguei”.

Mas então, o progresso compensa? Os riscos compensam? Analisando risco por risco e se fosse o caso evitá-lo ao máximo, não teríamos escadas em casa ou viagens de avião. Talvez nem telefone celular ou forno de microondas, mas eles estão aí servindo à humanidade.

Só nos resta torcer e esperar.

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