Cinema – Jean Charles

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cartaz_jean

Não tem jeito, nos dias de hoje, falou em cinema nacional, falou em Selton Mello. O cara é realmente muito bom e a sua presença num filme é atestado de qualidade. Não satisfeito com a invejável credibilidade ele ainda abusa, está em cartaz em nada menos do que 3 filmes ao mesmo tempo: Jean Charles, Mulher Invisível e Reis e Ratos. Quando assisti Meu Nome Não É Johnny, assisti com um pé atrás, como quem diz ‘de novo o Selton Mello?‘ Mas vou reclamar de que? O filme é fantástico então que venham muitos outros.

A trama de Jean Charles é tudo aquilo de bom que a mídia anda divulgando. Muito mais do que fazer a cobertura da tragédia ou, de quem foi o ilustre desconhecido Jean Charles, o filme mostra o questionável estilo de vida daqueles que se aventuram em outros países, em sub-empregos com a finalidade de levantar dinheiro para si ou para a família no Brasil.

Até hoje os policiais envolvidos no caso não foram punidos e, recentemente, foram inclusive absolvidos de todas as acusações. O filme pede justiça. Agora, eu penso uma coisa. Não que esteja protegendo ou concordando com os britânicos, mas pensemos numa situação. Londres estava sob a mira do terrorismo, dois grandes atentados com bomba aconteceram em poucos dias nas estações de metrô. Um dia antes do Jean Charles ser morto, a polícia conseguiu frustrar uma terceira tentativa de atentado e, numa mochila abandonada, fora encontrado um documento com o endereço do prédio do Jean. Resultado, a polícia se precipitou e errou. Errou feio! Não deu chance de defesa, não perguntou, nada! Chegou, atirou e matou. Tentou se explicar, inventou mentiras, disse que ele tentou fugir, que resistiu mas não teve nada disso. A polícia matou um trabalhador inocente (pelo menos do crime de terrorismo).

E se a história fosse outra? E se ele fosse o terrorista? E se tivesse detonado uma bomba e matado 30 pessoas? Deveriam então fazer 30 filmes. Stálin certa vez disse “Se você mata um, é assassino. Se mata 1 milhão é estatística.” A polícia errou, e errou principalmente ao tentar ocultar o próprio erro com desculpas esfarrapas, mas pense, eles estavam desesperados frente ao inimigo invisível; o terrorismo.

Eu acho que a história foi mais uma fatalidade do que assassinato. Uma tragédia oriunda de erros coletivos frente a um problema sem fácil solução.

Agora, pra mim, quem melhor descreve o problema e ilustra a situação como um todo é o personagem que mora com Jean Charles e comenta uma notícia de atentado que viu no jornal: “Esses ingleses fazem passeata pra não ter guerra e dois dias depois estão enviando tropa pro Afeganistão, o que eles querem é o que todo mundo quer, o petróleo do pessoal do lado de lá, eles vão lá e matam todo mundo, agora estão sentindo na pele.”

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Uma resposta to “Cinema – Jean Charles”

  1. Flávia Campos Says:

    Excelente filme!!!!!!!!!!!!!!

    É caro escritor… concordo com vc!!

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