Música – Ruído das Minas

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Meus olhos mal podiam acreditar, mas sim, estava passando um bom programa na MTV Brasil. Ela, que foi minha janela para o mundo e apresentou muito mais do que bandas, shows e músicas; desenhou um estilo de vida; ela que sucumbiu à pressão e talvez por orientações da matriz cerrou os olhos para o que construíra resolvendo correr atrás de mercado e audiência, estava ali novamente nos alimentando com coisa boa. Estou falando do documentário Ruído das Minas.

Idealizado, dirigido, filmado e produzido por alunos de Comunicação da UFMG, o documentário lança luz sobre o cenário musical de Belo Horizonte no início dos anos 80, mais especificamente, sobre o movimento metaleiro que florescia na cidade e despontava para o resto do mundo. Movimento este que lançou bandas como Sarcófago, Overdose, Chakal além, é claro, daquela que não só foi a banda brasileira mais bem sucedida no exterior como também influenciou todo o segmento mundial de música pesada, o Sepultura.

Pois bem, material de primeira linha. Entrevistas inéditas e muitas cenas de arquivo que fazem a narrativa competente sobre o movimento histórico que borbulhava na cidade. Maaas sobre o documentário em si eu só não gostei de uma coisa, o testemunho das outras bandas criticando o Sepultura e praticamente culpando-os pelo desfalecimento da cena como um todo. Situação que acabou por coroá-los como (quase) os únicos representantes do heavy-metal brasileiro/mineiro.

Em certa altura do filme alguém diz que, tecnicamente, as outras bandas eram tão boas quanto, mas aí eu pergunto, se é assim, porque então o Sepultura tem tamanho sucesso internacional? Porque roubaram para si o heavy metal by minas e o apresentaram primeiro ao mundo? Isso parece ressentimento de segundo lugar. Aonde estava escrito que o primeiro a fazer sucesso deveria puxar os outros? Eu realmente acho que o Sepultura por vezes faz pouco caso de sua terra natal (dando muito mais valor a São Paulo, onde tem o maior fã clube) mas daí a culpá-los pelo insucesso de outrém já é demais.

Inclusive, eu acho a história do Sepultura tão boa que ela por si só já daria um filme. A primeira parte já foi inclusive escrita (no excelente livro de Sílvio Gomes, Sepultura: Toda a História) mas e a última, será que termina com a saída de Igor? Acho que não. O Sepultura já demonstrou ter fôlego para muito barulho ainda.

E o metal mineiro? Bem, esse aí… é créu, é créu neles!

PS: É claro que boas bandas ainda persistem ou, vez por outra, brotam, à exemplo do falecido Diesel ou Eminence, este último que iniciou recentemente boa escalada rumo ao sucesso na Europa, mas!, é notório que a cidade perdeu, em termos de tradição, para outros públicos como os sertanóides, funk-shitters e Axé Brasil Axé Minas Gerais.

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11 Respostas to “Música – Ruído das Minas”

  1. casito witchhammer Says:

    Primeiramente, gostaria que você dissesse quem você é sua idade, e também se fez parte da cena desde os anos 1983 em diante, pois acredito que estas informações são imprescindíveis para o entendimento da cena metal mineira e para o currículo de alguém que se julga capaz de analisar alguma coisa do metal de BH.

    Vamos ao que interessa, você diz, “outras bandas criticando o Sepultura e praticamente culpando-os pelo desfalecimento da cena como um todo”.
    Comentário: A cena nunca se desfaleceu, aliás é isso que todos acham mesmo, pois com a mídia voltada unicamente para um lado, como pensar diferentemente não é? As bandas daqui sempre tiveram trabalhos sérios que persistiram sempre apesar de todas as dificuldades.
    Shows underground continuaram e sempre continuarão, com Sepultura ou sem.
    Mais, “Em certa altura do filme alguém diz que, tecnicamente, as outras bandas eram tão boas quanto,”
    Comentário: “alguém” tem nome: Casito, Paulo Caetano, Geraldo Minelli.
    Na época, antes de o Sepultura ir para São Paulo, o Witchhammer era a banda que mais tinha estrada no Brasil. Aliás, tecnicamente o Sepultura não chegava nem aos pés de outras bandas em habilidade musical, arte visual, etc.
    “porque então o Sepultura tem tamanho sucesso internacional? “, porque foram vistos por empresários de São Paulo e Alemanha e não se prestaram a sequer mencionar que aqui o movimento era super forte e contava com várias bandas de público expressivo, coisa que, deixando de lado o gosto musical, não acontece em outras praias, os músicos do norte de minas se ajudam e se divulgam, os artistas bahianos lavam as mãos uns dos outros sempre e por aí vai, em outras áreas da arte também.
    “Isso parece ressentimento de segundo lugar. Aonde estava escrito que o primeiro a fazer sucesso deveria puxar os outros? “, esse que vos fala, Casito, baixista e vocalista da banda Witchhammer, viajei e ainda viajo, o Brasil inteiro de ônibus para tocar, e a Cogumelo pedia que levássemos discos (ainda de vinil), caixas e mais caixas, para todos os lugares, nordeste inteiro, contro-sul, sul, São Paulo e Rio. Se você não sabe, seu merdinha, carreguei discos de Sepultura, Sarcófago, Chakal, The Mist, Holocausto, Sex Trash, Mutilator, Coletâneas todas, sem poder, pois já tinha meu baixo, minha mochila e coisas de bateria pra ajudar, ok? Eu levei, LITERALMENTE o metal de BH para todas as partes do país, COM MEU SUOR! Chame isso do que quiser, mas só eu sei o que se passou em muitas ocasiões. Eu puxei os outros e vou continuar assim pois sou fiel ao brotherismo que tínhamos aqui e que acho que não deveria ter mudado tão derepentemente só por ter contratos internacionais.
    “mas daí a culpá-los pelo insucesso de outrém já é demais.”, o que você considera insucesso? Quem disse que as demais bandas não tem sucesso?
    Conclusão: Pouquíssimas pessoas sabem das estórias que NÃO ESTÃO nos Ruídos das Minas. Você, obviamente é uma delas. Falo com propriedade e seriedade, não sou puxa-saco como você e vários outros, que sempre tiveram seus nomes nas bocas dos irmãos Cavalera, como Ratos de Porão, por exemplo. Eu fiz pelo metal de BH o que nunca será feito pelo Sepultura e isto é que interessa. Enquanto outras brotam, nossa árvore, que nunca precisou de água nenhuma de ninguém, cresce às próprias custas, árvores fortes e de tronco grosso, árvores da verdade.

    • bussainchains Says:

      Ok camarada, desculpe por qualquer ofensa que possa ter transparecido no meu texto e sim, eu não tenho autoridade pra falar da cena metal de BH nem de cena nenhuma de nada. Eu só estava dando o MEU ponto de vista e não fazendo justiça ao período histórico, aliás, em 83 eu tinha 3 anos.

    • PR Says:

      O Casito para de chorar!!!
      Witchhammer, Sepultura, Sarcófago, Chakal, The Mist, Holocausto, Sex Trash, Mutilator e outras são ducaralho demais. Você fez sua parte para que estas bandas, a cena de BH pudesse crescer cada vez mais. Agora para de querer algo em troca por isso, para de falar que o Sepultura fez isso ou aquilo. Você devia estar feliz pelo o que você fez e não se preocupar com o que os outros não fizeram por você. E antes que você pergunte quem sou eu e minha idade lhe digo que frequento a cena em BH desde 1979.

  2. casito witchhammer Says:

    Caro PR (que continua anônimo pois PR não identifica ninguém né ?), em 79 não havia cena metal ainda aqui. Nunca estive nem aí pro Sepultura em termos de business, nem temos influências musicais, nem amizades maiores, nada. Não estou chorando, estou defendendo meu ponto de vista de quem está dentro da história. Esta é minha vida. Tudo que sou e tenho é graças ao metal. São 25 anos de luta e não quero ninguém falando merda do que não sabe. Em entrevistas, sempre citamos bandas de menos expressão ainda no cenário com muitos elogios. Somos assim e não podemos querer que todos sejam né ? Quanto ao fato de viver me preocupando só comigo, acho difícil. Tive adolescência contestadora, sou um ser político que nunca viveu nos moldes da sociedade, engravatado, alheio a tudo, cego, enquanto o mundo explodia lá fora. Sempre me preocupei pelo que o governo não fez por mim, pelo que os outros não fazem por outros etc. De graça, nunca pedi nada em troca ok ?

  3. Ricardo Almeida Says:

    Infelizmente tive que ver que mais uma vez houve exclusões dentro do cenário do metal em BH, outras bandas existiram e foram importantes para o cenário do metal em BH, minh banda é uma delas, aliás toquei em 3 bandas que tocaram e inclusive gravou pelo selo COGUMELO, está é a Megathrash (ensaivamos com o Sepultura na rua Pouso Alegre), as outras que toquei foi, Armagedom e Virgin Again, está última chegou a gravar um clip para a MTV no espaço DCE, que na época foi palco de vários shows, não vi tbm Gothic Vox, e dentre outras, bom, triste é o cenário até hoje de minas, por isto somente uma vingou, e todas “se fuderam”, por puro egocentrismo e ëstrelismo”. Parabenizo seu trabalho e que da próxima vez possa ter uma pesquiza mais completa e não resumida e “paneletica”como foi está!

  4. Manu "Joker" Says:

    Salve,

    apesar de não ser local de BH (sou do Triângulo Mineiro) frequento a cena da cidade desde 85 e posso dizer que, mesmo com algumas bandas não sendo citadas (como o Megathrash, que dividiu palco com minha primeira banda “Angel Butcher” em 87 ou os ótimos Gothic Vox e R.I.V.) esse documentário ficou foda e fez arrepiar quem viveu aqueles dias fantásticos. Parabéns Filipe por ter feito algo que ninguém fez antes.
    PAX

    Joker

  5. Gustavo Says:

    Bom, primeiramente queria dizer que fiquei indignado quando vi no documentário que o Sepultura não abriu nem tentou abrir as portas para as outras bandas de minas no exterior. Mas assim, como dito por vocês (Wichhammer) todas as bandas tinham a mesma qualidade. Eu acho que o Sepultura soube sair na frente, aproveitar melhor e deu mais sorte também, mas as chances de explodir lá fora todas tiveram, ou tem, não sei. Já fui em vários show aqui em BH do Wichhammer, Sarcófago, Overdose e Chakal, tirando o Sarcófago todas as bandas são muito foda. Gostei muito do documentário, apesar da nostalgia ruer foi muito bom! Queria agradecer muito a você Casito e todo o Wichhammer e as outras bandas mineiras por terem proporcionado pra muita gente, assim como eu, a melhor época da vida. Foi muito, muito doido!!! Sem palavras! Ducaralho!

  6. casito witchhammer Says:

    Valeu Gustavo, um super abraço.

  7. Mark Says:

    O documentário Ruído de Minas, foi um grande registro sobre o que aconteceu naquela época. Chakal e Witchhammer ainda estão na estrada pelo puro amor ao Metal, fazemos porque gostamos todos nós temos nossas carreiras profissionais muito bem definidas, e tocamos até hoje porque o HEAVY METAL faz parte dos nossos DNA’s. Sucesso comercial não mede a qualidade musical de nenhuma banda ou artista, que o diga os RACER-X e os Allan Holdsworth da vida.

    Abraços a todos,

    Mark

  8. jose maria(rei) Says:

    cara!quando assisti esse documentário fiquei muito emocionado,pois tbm fiz parte dessa geração aqui em minas.lembro bem do tipo de divulgação que as bandas tinham .era só a base do fanzine(xerox),tinhamos tbm os progamas:metal massacre(rádio liberdade),e o rock que a terra não esqueceu(rádio terra).saudades da cogumelo,e de toda galera da epoca.com certeza foi a melhor epoca do metal em minas.apesar das dificuldades agente era feliz e não sabia!

  9. Dislei Gomes Says:

    Alguém tem gravações dos programas Metal Massacre para me enviar?

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