La main de Dieu

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Futebol é dinheiro e que ninguém duvide disso. Paixão nacional? Ótima oportunidade para lucrar e o problema é simplesmente em qual lado da briga você está, nos explorados ou nos exploradores? Tudo bem, no fundo tudo é assim mesmo mas vamos pegar o exemplo específico do futebol por ser um fenômeno de proporções globais.

No Brasil, terra do futebol, uma grande maioria miserável e medíocre é apaixonada pelo jogo; isto! não passa de um JOGO. Por que deixar a vida inteira de lado para dedicar taaanto tempo a UM jogo? Quem ganha($) não entende, mas adora a situação. Parece um esquema nacional para entreter a população. Na verdade, a questão do “entreter” seria ligado a épocas romanas e comparações com a panis et circenses ou seja, um povo entretido e alimentado não vai fazer revolução. Como no Brasil (e no mundo) o esquema já está muito bem enraizado, não passa pela cabeça de ninguém fazer revolução então o jogo está ganho. O objetivo de hoje não é entreter, e sim assaltar. Mas é um assalto simpático, hipnótico afinal de contas ninguém é obrigado a ir num estádio, comprar o PFC ou saber a tabela do Brasileiro. Quer dizer, não é, mas é. O sujeito 100% alheio ao futebol no Brasil não tem assunto, não tem amigos, não tem inimigos, não é ninguém, é invisível.

E tudo é decidido pelo dinheiro. Você acha que a Globo puxa o saco dos times paulistas e cariocas? Não! Ela não faz isso, ela enxerga é o mercado. Quando o Corinthians ganhou uma competição importante neste ano a Globo fez festa como quem comemora um título mundial. Mas era o time de um Estado e não do país. A Globo, que fala tanto da Copa Libertadores (pelo seu alto teor comercial ), quando viu um time de Minas Gerais disputar a final, preferiu, em alguns lugares, passar um clássico do futebol paulista (pelo Campeonato Brasileiro) num jogo totalmente desimportante porém, com maior valor de mercado. Fosse um time carioca ou paulista, o Brasil parava.

Futebol, mercado, paixão são coisas passageiras e dependem de constante observação. São índices medidos com o mesmo rigor de uma audiência. Com exceção da torcida do Atlético-MG (e outras aflitas Brasil afora), que passou 100 anos sem ganhar um título de expressão, os outros times se revezam na bola da vez para alimentar a chama das massas. Ainda assim o Atlético, vez por outra ganha um jogo do Cruzeiro ou um outro mais ou menos importante e isso já é o suficiente para explodir a raiva atleticana e garantir: venda de camisa, venda de audiência e recorde de público. Ou seja, uma torcida apaixonada representa um alto potencial econômico a ser explorado.

No Brasil os títulos do Campeonato Brasileiro se revezam entre Rio e São Paulo e (coincidência ou não) as maiores e mais apaixonadas torcidas estão lá. Mas o que aconteceria ao resto do Brasil caso os títulos se perpetuassem entre os dois Estados? Ora, o interesse ia diminuir. E diminuir interesse significa diminuir audiência, diminuir dinheiro. Então, veez por outra vamos deixar um time de fora ganhar. Que seja um time de Minas, do Sul, do Nordeste.. mas tão logo eles ganham suas migalhas, voltamos a cuidar da nossa galinha dos ovos de ouro.

Em escala internacional o jogo é absolutamente o mesmo. Certo dia vi alguém comentando sobre o desinteresse dos americanos com o futebol. Por lá, o beisebol e o basquete rendem absurdamente mais dinheiro do que o esporte de Pelé. Então, para contornar o problema e explorar novos mercados os times americanos estavam contratando estrelas do futebol mundial para aumentar o interesse da população, a exemplo de David Beckham.

A final da Copa do Mundo de 1998, num estranho e polêmico episódio em que o Brasil, favorito, foi derrotado pela França após uma sequência de acontecimentos bizarros (como uma suposta convulsão de Ronaldo Shemale Phenomenon), é apontada por alguns críticos (chatos, inconvenientes de galocha) como uma manipulação política e estratégica para dar o título a outro país tirando o monopólio das mãos dos brasileiros.

Imagine o nível de desinteresse mundial caso o Brasil vencesse toooodas as Copas do Mundo. Não pode! Tem que ser assim, cada hora um ganha para garantir o chama global e alta lucratividade. Puxa vida, uma copa do Mundo sozinha gera mais audiência do que uma Olimpíadas, onde disputam TODAS as modalidades, engraçado não?

E foi assim que ontem, num jogo desesperador a França se viu numa situação delicada. Ficar mais uma vez de fora da festa. Agora pensa comigo, a França fora da Copa?? Um dos países mais ricos da Europa?? De fora?? E se o bloco europeu perder o interesse por futebol?? Vamos assistir o Brasil, terceiro mundo irritante, sendo campeão de novo?? Não pode, sem chance.

Gol roubado? Sim. Mas foi por um bem maior.

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2 Respostas to “La main de Dieu”

  1. Flávia Campos Says:

    Disse tudo, meu caro escritor!!!!

  2. Chico Brant Says:

    Enfim, uma visão do campo, fora do campo…
    E ainda com uma narração que não entedia como a do Chatão!
    Valeu!

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