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Música – Offspring em BH

janeiro 19, 2014

Eu não sou punk! Nunca fui. Não usei cabelo vermelho, rosa, verde, com parafina, corrente, calça rasgada, piercing, nada disso. No máximo um jeans surrado, um tênis furado e uma camisa preta de banda. E um cabelo desdrenhado. Mas nada radical, nada punk.

Apesar disso eu simpatizo com a idéia, com a filosofia, com o foda-se e principalmente, com o ritmo musical.

O punk enquanto ritmo são aqueles três acordes mal tocados, uma bateria acelerada e um meliante se esganiçando e provocando ao microfone.

O punk, penso, nasceu com os Sex Pistols na Inglaterra e virou Ramones na América. Gosto e respeito os dois.

Diga-se de passagem, “Ramones” não é uma marca de grife para estampar camisetas femininas, da mesma forma como é ridículo lojas caras venderem jeans rasgados e justamente por serem rasgados, são muito mais caros.

O que diriam os velhos punks mendigos que só tiveram um jeans na vida se pudessem receber royalties pela exploração comercial da moda que eles lançaram?

Meus primeiros contatos com o mundo do rock não vieram pelo Ramones ou Sex Pistols, mas sim pelo Green Day e pela MTV. E na época, Green Day era chamado de punk. Hoje eu tenho maturidade o suficiente para entender que, talvez um dia eles tenham brincado disso mas, naaa, deixa.

O punk de verdade, todos sabem, vai muito além da sonoridade e está muito mais ligado à atitude.

Está aí o Jim Morrisson, um grande e verdadeiro punk. Um baderneiro. Um cara que liga o foda-se sem desfazer o cabelo e no entanto o The Doors não é uma banda punk.

Mas o Green Day é. Ou era. Ou queriam que fosse.

O fato é que a primeira vez que ouvi When I Come Around achei muito legal e comprei o Dookie.

Considero, até hoje, o Dookie um dos meus melhores discos. Mas não acho que seja um disco puuuunk por assim dizer. É sim um disco cujo ritmo punk-rock é muito bem feito. Tá certo que os integrantes deviam ser uns drogados vivendo loucamente a juventude e o rock and roll e isso está intimamente ligado ao universo punk mas ainda sim rolava um quê de MTV demais. E ainda rola né.

Enfim, depois do Green Day busquei outras referências punk e acabei trombando com o Offspring cujos especialistas juravam que era muuuito melhor.

Comprei um tal de Smash e, PQP, que disco! Virei fã. Melhor ou pior que o Dookie? Não sei, esses rankings cansam. O importante era que eu tinha uma nova banda a adorar.

Foi então que depois do Smash lançaram Ixnay on the Hombre e achei bacana. Não conseguiram repetir a uniformidade de músicas boas do Smash mas ainda assim tinha Mota, Me and My Old Lady e o hit-MTV ‘All I want’.

Acho que foi aí que a coisa desandou, MTV!

O próximo disco, Americana, veio cheio de bobagens tipo Pretty Fly For a White Guy e Why DOn´t you get a job que foram ultra sucessos mundiais.

Aí foi aquela coisa, milhares de fãs da noite pro dia que nunca tinham ouvido Come Out and Play, Bad Habit ou até mesmo Self ESteem, e o pior, achavam que Offspring era essa bobagem alegrinha de “Uno, dos, tres, cuatro, cinco, cinco, seis”

Desisti! Larguei pra lá. Nunca mais procurei nada. Ignorei. Liguei o foda-se!

Duzentos anos depois, num certo Pop Rock Brasil, em Belo Horizonte, anunciaram Offspring como atração principal.

Fiquei curioso! Pensei, será que rola?

O problema era que, mesmo sem acompanhar nada da banda, o fato dela tocar num festival tão idiota quanto Pop Rock Brasil já não precisava dizer mais nada. Resolvi não ir.

De forma saudosista, olhei o setlist tocado e até vi que tinham músicas interessantes, claro! Mas não tive estômago para assistir NX Zero enquanto esperava o show principal. Ignorei.

Hoje, outros duzentos anos depois, ao passar pelo Chevrolet Hall, também em BH, vi um cartaz “The Offspring, 5 de fevereiro”.

Pensei, não estou fazendo naaada, quem sabe não rola uma nostalgia? E quem sabe não rola “Bad Habit”?

Vou conferir!

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Música – Alanis em BH

dezembro 27, 2008

A Alanis Morissette não foi exatamente o maior amor da minha vida mas eu posso dizer que, na época curti bastante o disco Jagged Little Pill. Bem, foi eu e metade do mundo né. Não importa. O que importa é que ela andava sumida (com suspeita de nunca mais voltar a brilhar) e então abro o jornal e o que aparece? “Alanis vai fazer 11 shows no Brasil!” Wow!

Eu não gosto tanto dela a ponto de viajar para ir no show mas sendo em casa fica tudo diferente num é? Então peixe, anota aí um bom programa pro dia 5 de fevereiro de 2009:

alanis

And I’m here to remind you
Of the mess you left when you went away
It’s not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know


Música – Los Hermanos na Fundição Progresso

dezembro 11, 2008

lhfundicao

Certa vez (antes do Orkut nascer) eu estava acompanhando o fórum (Coollist) da banda Diesel e tinha acabado de rolar um show do Silverchair em BH, foi então que um membro falou: ‘próximo bom show, Los Hermanos‘. Fiquei intrigado. Los Hermanos não era aquela banda da Anna Júlia? Eu até ouvi dizer que eles lançaram um segundo disco com uma proposta diferente mas, será que presta? Devido a credibilidade do fórum fiquei encucado.

Passados uns dias um amigo meu, o Saulo, me disse eufórico: ‘cara fui num dos melhores shows da minha vida, Los Hermanos‘. Poxa, até você meu rei? Me diga lá o que é que os Hermanos tem? ‘-A banda é do caralho! Todas as músicas são boas e no show você não acredita na energia que rola, todo mundo sabe todas as letras eu fiquei até sem graça porque só conhecia algumas músicas mas no próximo eu vou estar afiado, estou decorando tudo e vou te passar umas músicas pra você ir também‘. Ok, foi assim que ouvi pela primeira vez ‘Samba a Dois‘, ‘Quem Sabe‘, ‘Outro Alguém‘, ‘Cadê Teu Suin‘ e outras picadas.

As primeiras ouvidas confesso que não foram nada sobrenatural mas com o tempo já não conseguia ouvir coisa que não fosse da banda. Eis então que o sonhado segundo show foi anunciado, Saulo me ligou doido para comprarmos ingresso, isso era uma segunda-feira. “Ah, comprar ingresso segunda pro show de sábado? Pres´tenção sô! Lá pra quarta ou quinta a gente compra isso“. Quando cheguei no Lapa Multishow, na quarta-feira, senti a faca do arrependimento a me fitar, os ingressos estavam esgotados

Saulo ficou inconformado e no dia do show foi até a porta pra ver se conseguia entrar. Não conseguiu. Tinha até alguns cambistas vendendo mas o preço tinha sido absurdamente inflacionado. Ele falou que do lado de fora do Lapa tinha centenas de pessoas sem ingresso querendo entrar de todo jeito e foi tanto que até fecharam a rua. 

Mas nem tudo era tristeza, devido a grande procura, uma semana depois já tinha outro show dos Hermanos marcado. Desta vez no Chevrolet Hall (lugar grande) e com o Pato Fu. Agora eu não perco de jeito nenhum! Comprei os ingressos com antecedencia e fiz o dever de casa, ouvi os CDs da banda até a exaustão. Além disso ainda gravei uma coletânea pra patroa também ir se interando.

E o show, como foi? Soberbo!! Por mais que eu ja tivesse sido avisado sobre o comportamento do público, quando você está ali no meio, é bonito dimais.. Estávamos na frente do palco quando os primeiros acordes de ‘O Vencedor‘ soaram como uma tormenta e o chão começou a tremer. Todos ao redor pulavam. Na hora dos versos a banda diminuiu e passou a responsabilidade pro povo e este gritou como se estivessem se despedindo da vida, exatamente como no clipe ao vivo da música.

–>   http://www.youtube.com/watch?v=VLPURvCvPP0   <–

O resto do show foi exatamente do mesmo jeito e cada música causava o seu frisson. Sai de lá querendo mais e toda vez que a banda estivesse na cidade, lá estaria eu.

Fui no show do Pop Rock (por causa deles), do Mix Garden, do lançamento da Telemig GSM, outro no Chevrolet e um na calourada da PUC no Mineirinho. Todos foram absurdamente bons mas após esta quase overdose senti a necessidade de diminuir um pouco o ritmo para não enjoar. Antes que eu deixasse de acompanhar eles próprios anunciaram a pausa da banda.

Ai ai ai, esse negócio de pausa não costuma dar certo. Um pouco antes surgiram boatos de que Camelo e Amarante iam fazer carrera solo, o que foi desmentido, mas esta história de pausa, num sei não.

Como agradecimento aos fans sempre presente decidiram fazer um show no Rio de Janeiro de despedida. Seriam dois dias na Fundição Progresso. A procura, mais uma vez, foi tão grande que abriram o terceiro dia. Eu até ia no show mas devido a uma complicada soma de fatores (falta de ingresso, custo de viagem e final de semestre) não foi possível. Alguns amigos foram e disseram que foi o melhor dos shows, o que já era de se imaginar uma vez que todos estavam com a emoção à flor da pele e o coração apertado pela despedida. Como se não bastasse ainda disseram que na porta estava chuvendo ingresso de cambistas a preços irrisórios. 

Enfim, para quem não foi ao show ou até mesmo para quem deseja conhecer um pouco da energia que era um show do Los Hermanos, este show de despedida rendeu o belíssimo CD+DVD ‘Ao Vivo na Fundição Progresso’. Ouvindo as músicas, pra quem gosta é impossível não se emocionar e pra quem não conhece, impossível não se espantar com tamanha devoção.

Uma amostra dessa loucura já havia sido registrada no DVD Ao Vivo no Cine Íris mas acho que foi a dor do adeus sem a certeza do retorno que temperou este show com a euforia dos músicos e a voracidade da platéia que cantou as 31 músicas dizendo ‘vá descansar mas volte logo para nos alegrar’.