Posts Tagged ‘nação zumbi’

Música – 15 anos de Da Lama ao Caos

novembro 15, 2009

chico

Foi por pouco, mas por muito pouco mesmo, que eu não fico de fora da festa de comemoração aos 15 anos do lançamento do cd Da Lama Ao Caos. Não fosse o despretencioso comentário do ´Véi´, como quem sugere uma ingênua opção de lazer, o show teria passado incólume.

Em 1994, em Recife,  quando Chico Science reuniu a Nação Zumbi e lançou o seu primeiro CD, ninguém imaginava que a mistura de rock com maracatu iria ganhar o Brasil e fazer sucesso lá fora a ponto do disco, hoje, ser considerado um divisor de águas na música brasileira e, talvez, o último grande movimento musical, a exemplo da Tropicália, o Mangue-Bit.

Liderado por Chico Science e Fred 04 (do Mundo Livre SA) o movimento fez sucesso primeiro lá fora, depois no Brasil. E historicamente, Da Lama Ao Caos acabou sendo considerado o marco zero da empreitada.

O show (que já havia passado por BH ao celebrar os 10 anos, e eu perdi) consiste na execução total do CD, de cabo a rabo, e sendo a obra prima que é garante a insuperável qualidade do entretenimento da noite. Tivemos também as participações de Otto (sim, o marido da Alessandra Negrini) e do Fred 04.

O repertório da noite contou ainda com Manguetown, Cidadão do Mundo (do Afrociberdelia), Bossa Nostra e fechou com chave de ouro no primeiro clássico da era pós-Chico, Quando A Maré Encher.

Para mim, que acompanho a banda desde 96 e já assisti a mais de 10 apresentações do grupo, nenhuma música chegou a ser novidade mas é claro que o clima esquenta quando clássicos como Banditismo por Pura Maldade, A Cidade, Praieira, Maracatu de Tiro Certeiro (perfeita!), Computadores Fazem Arte, Samba Macosa, Risoflora, Coco Dub e aquela que da nome ao disco, Da Lama ao Caos, são tocadas. Ainda assim, a faixa que talvez tenha mais me emocionado foi uma que é originalmente instrumental e cantada no disco CSNZ (ao vivo) por Chico Science: Lixo do Mangue (aqui cantada por Gilmar Bola8)

Pois bem, enquanto a obra não for superada, seguimos celebrando o último momento genial da música brasileira, e que venham os 20 anos com a Nação a todo vapor hipnotizando e zumbiando a platéia sedenta por música boa.

Pout-Pourri no disco ao vivo CSNZ com a versão de Lixo do Mangue cantada por Gilmar Bola 8 no melhor momento da noite.

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Música – Festival do Lixo e da Cidadania

outubro 16, 2009

lixo

15-outubro
Dj Betinho
Luiz Melodia
Graveola e o Lixo Polifônico

16-outubro
Los Sebosos Postizos (Nação Zumbi tocando Jorge Ben)
3 Na Massa
Djambê

17-outubro
Velha Guarda da Portela
Patuá
Fidelidade Partidária

Música – Show Nação Zumbi e PLAP na UFMG

agosto 31, 2009

DSC01771

Certa vez, há muitos anos atrás, fui num show do Pedro Luis e a Parede pelo aniversário da cidade de Mariana. A festa foi numa área gigantesca da rodoviária e curiosamente, neste mesmo dia, a outra banda a tocar seria a Nação Zumbi. Enquanto as expectativas estavam todas voltadas pros pernambucanos, o Plap acabou surpreendendo e fazendo uma boa apresentação. Não foi o caso de ontem.

Com um repertório baseado no último disco, o show ficou devendo pela absoluta falta de músicas conhecidas. Tudo bem!! Eu confesso. Conheço pouquíssimas músicas da banda mas uma Batalha Naval e Pena de Vida, se fossem tocadas, não iriam fazer mal a ninguém. As músicas novas não só não empolgaram pelo anonimato, quanto pela talvez… falta de suingue? Não sei. Só sei que não era a noite do Plap e as únicas músicas que arrancaram alguma reação positiva da platéia foram aquelas do repertório do Monobloco como Caio no Suingue e Um Real.

Depois veio a Nação Zumbi e a história foi outra, claro. Felizmente fiz o dever de casa e ouvi à exaustão os discos Futura (2005) e Fome de Tudo (2007), de onde saíram excelentes momentos da noite.

Desde que Chico Science morreu, a Nação Zumbi divide seu repertório entre as músicas da fase Chico com as atuais. Ao vivo, isso costuma representar uma mudança brusca de direção e nem sempre agradável, uma vez que as músicas antigas são mais animadas por natureza e contrastam com a psicodelia delirante, por vezes monótona, das novas.

Não é que as músicas sejam ruins, o problema é que quando toca algo de Chico a casa vem abaixo, o público acende e se enfurece,  em seguida a psicodelia volta e acalma tudo.

Como eu estava preparado para as novas músicas senti menos o efeito, mas ainda assim ele existiu, levando alguns até a comparar os dois shows e chamá-los de fraco. Não! Isso não! Não comparemos! Bastava que apenas uma música animada da Nação fosse tocada para superar toda a apresentação do Pedro Luis.

O repertório da fase Chico Science teve Rios, Pontes & Overdrives, A Praieira, O Cidadão do Mundo, Macô, Maracatu Atômico, Manguetown e Côco Dub.

Já da fase pós-Chico vieram Blunt of Judah, Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada, Mormaço, Hoje Amanhã e Depois, Bossa Nostra, Infeste, Inferno, Memorando e a explosiva Quando A Maré Encher.

Eu sei que é difícil transmitir a emoção de um show com um texto, justamente por isso, tentei captar alguns momentos para eternizar de forma mais consistente mais uma noite perfeita de música quântica.

Pra fechar com chave de ouro só faltou Da Lama Ao Caos de saideira, para todo mundo ir dormir feliz da vida. Mas tá bom, terminamos com Manguetown e aquela velha mensagem: “Esta noite sairei e vou beber com meus amigos, há!”

Cena de filme

agosto 30, 2009

copo lagoinha

Uma turma de amigos está sentada num bar nas redondezas do Mineirão, aguardando a hora de descer para o CEU (Centro Esportivo Universitário) para assistir aos show de Pedro Luis e a Parede e Nação Zumbi pela calourada da UFMG.

Todos estão felizes, eufóricos, ansiosos e se embriagando para entrar no clima da festa.

De repente o telefone de Lica toca:

Lica: Ah não, que que meu pai está me ligando agora?

<burburinho, conversa, piadas, garrafas, garçón>

Lica: Mentira pai, sério? Como que pode isso?

<silêncio>

<ela levanta e se afasta da mesa>

<choro compulsivo, engasgado>

<desce a rua e vai para longe>

<todos se olham assustados>

Jacaré: Que chato hein.

Lord: Que será que foi?

MrA.: Parece que foi grave.

JC: Nossa gente, que barra.

Jacaré: A vida tem dessas coisas.

Magno: Será que foi avó?

Lord: Ela estava com alguém doente na família?

MrA: Não. Parece que foi acidente.

Lord: Ou talvez algum parente de bastante idade…

Jacaré: Não sei também.

JC: Gente vai lá atrás dela.

<Lica desliga o telefone e caminha sozinha, senta no meio fio, faz outra ligação>

MrA: Melhor dar tempo pra ela se sentir a vontade.

Jacaré: Uma vez lá em Itabira aconteceu isso também.

Magno: Pra morrer basta estar vivo.

JC: A vida é isso aí.

<Lica retorna a mesa>

<Silêncio total>

Jacaré: E aí, o que aconteceu? Ficamos preocupados.

Lica: Minha cachorra morreu!!!!

<choro estridente>

<silêncio>

<silêncio sepulcral>

<olhares atravessados>

MrA: Não fica assim, você está bem?

Lica: Não.

<silêncio>

Jacaré: Olha, eu sinto muito.

<silêncio>

Jacaré: Mas graças a Deus que foi sua cachorra, estava pensando que tivesse sido bem mais grave, achei que tivesse tido um óbito.

<risadas discretas>

Lica: Teve um óbito!

Lord: (risos) Desculpe a inconveniência mas todos estavam muito preocupados pensando no pior. Mas estes bichos a gente se apega muito mesmo…

Jacaré: É, eu mesmo tinha uma Playboy antiga que foi se desgastando. Um dia ela se perdeu e foi foda pra mim…

<silêncio>

Calourada UFMG 2009 – Nação Zumbi e PLAP!

agosto 25, 2009

Olha só como são as coisas, o Deus do rock nunca me deixou na mão.. Ainda ontem eu comentava com minha querida companheira “que saudaaaade de um show da Nação Zumbi” e o que aconteceu? Hoje eu tenho esta notícia ES-PE-TA-CU-LAR.

Domingo prometo uma cobertura completa do evento com análise dos shows e da festa em geral.

Eu vim com a Nação Zumbiiiiiiiiiiiiiii!!!!

Calourada+2009+UFMG+flayer_virtual_calourada

Música – Virada Cultural [2]

maio 5, 2009

Música – Conexão Vivo (21abr)

abril 22, 2009

conevivo

O Conexão Vivo do ano passado, além dos artistas independentes, contou com alguns nomes de peso para colorir a festa em seus shows principais. Desta forma, Nação Zumbi e Fernanda Takai fizeram os dias mais disputados.

Este ano a festa não conta com um graaande show, nem um graaande nome, assim, não causa graaande expectativa nem nada. Os nomes mais famosos (como Flávio Venturini, BNegão, Samuel Rosa, Naná Vasconcelos e John Ulhoa, etc) aparecem apenas como convidados e não como show principal. Talvez o nome mais pop seja Otto (que toca na próxima quinta-feira, amanhã), e ainda assim não me desperta grande empolgação.

Eu queria muito ter visto o show do Naná Vasconcelos (que era convidado de Kiko Klaus) mas acabou que na hora rolou uns desencontros, fila pra comprar fichinha, fila pra pegar cerveja, fila pro banheiro, fila pra tudo e acabamos não vendo nada. Fica pra próxima.

Antes disso assisti a estranha apresentação rock/brega de Cidadão Instigado. Os melhores momentos foram justamente cover de músicas brega cujo autores desconheço mas senti ali uma pontada de Reginaldo ou quiçá Odair José.

Depois veio o Falcatrua. Banda do antigo frontman do Tianastácia (em sua melhor fase) fazendo tributo à TIM em noite de VIVO (fala Markito!). Na verdade tocaram várias de Tim Maia e, em companhia de John Ulhoa (Pato Fu), redesenharam os clássicos Maia com a pulsação do rock. Não ficou sensacional mas foi divertido.

Em seguida, pra fechar a noite, Chico Amaral apresentou seu show instrumental. Lá pelas tantas chamou Marina Machado pra animar e terminou com a bela participação de Samuel Rosa.

O garoto Skank de cara já foi atacando de sucessos de sua banda e, pelo elevado da hora, quando rolou  a simpática “Ziilda é uma mulher…” aproveitei para subir ladeira e ir embora.

No caminho, já distante do show, ouvimos uma euforia inusitada vinda do público. Um clamor ardente, uma comoção. Gente, o que aconteceu? O óbvio seria, no final, Chico Amaral reunir no palco Samuel e Marina para fecharem os três a apresentação, porém, a comoção era muito maior àquela que imaginei, algo estava errado. De repente meu celular tocou, um amigo que ficou gritava: “Já saiu do parque?? Volta!! Milton Nascimento subiu ao palco e disse que vai quebrar tudo!!!”

Tá explicado. Tamanha euforia só se justificaria se um rei desse o ar da graça, e deu. Milton Nascimento, que no mesmo dia de manhã estava a cantar para o Governador Aécio Neves na cerimônia do 21 de abril em Ouro Preto, estava agora ali para dar uma força aos amigos Chico Amaral, Samuel Rosa e sua cordeirinha predileta, Marina Machado.

Resisti à tentação e fui embora sem olhar pra trás. Entrando no carro rolou Titãs – Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas.

Salve Milton!

Antes fosse…

abril 8, 2009

dead

Esta semana, dia 5 de abril, completaram 15 anos da morte de Kurt Cobain. Ele foi um dos primeiros artistas contemporâneos cuja morte me lembro. Aliás, passei a ouvir o Nirvana devido a tamanha comoção ao redor da notícia.

Me lembro da retrospectiva daquele ano (94) quando um dos destaques foi a morte do cantor que influenciou milhares de pessoas e criou um movimento na música mundial, o Grunge. Depois disso, quando a MTV “comemorava” meses do acontecido, resolvi assistir alguns especiais e, inevitavelmente, virei fã.

A morte de Renato Russo ouvi pelo rádio. Foi mais ou menos a mesma história do Nirvana. Não conhecia seu trabalho e comecei a destrinchar mesmo após a morte. Já o Mamonas, esse eu conhecia bem (e quem não?), minha irmã então novinha me deu a notícia com os olhos cheios de lágrimas.

Também me lembro do Chico Science. Estava viajando e não sabia de nada quando de repente uma ligação do meu irmão me revelam duas trágicas notícias: 1-Max saiu do Sepultura; 2-Chico Science morreu. Meses antes ouvi na rádio “Chico Science e Nação Zumbi tocam em Belo Horizonte pela segunda vez em menos de um mês!“, pensei, ‘se estão vindo direto, oportunidade é o que não vai faltar’. E faltou, até hoje me arrependo.

Já a Cássia Eller eu estava na praia. Morreu no reveillón. Lembro de estar sentado num boteco quando um menino passou vendendo um jornal de longe que trazia alguma notícia sobre a Cássia na capa, achei que se tratava de algum show importante na virada (realmente ela ia fazer o reveillón de Copacabana). No outro dia o Scooby, com a sua delicadeza que lhe é peculiar me disse: “…e a Cássia hein? Foi pro saco!”

Um dia resolvi perguntar pessoas mais velhas sobre como foi a notícia e repercussão da morte de pessoas famosas. Eu mesmo nasci num dia trágico. Essa história quem conta é meu pai, no dia 9 de julho de 1980 se apaga uma estrela e outra se acende. Morria Vinícius de Morais e eu nascia. hehe

Mas nada foi mais forte e sincero que o depoimento do meu querido Tio Zinho a respeito da morte de seu maior ídolo. Em suas palavras:

Zinho: “eu estava em alguma boate em Belo Horizonte quando Miltinho veio correndo afobado e dizendo ‘Zinho você não sabe quem morreu’. Pelo jeito que veio achei até que fosse alguém da família, tomei coragem e perguntei ‘Quem? Fala logo!” Ele disse: John Lennon. -Puuuta que pariu!!, desabafei, antes fosse alguém da família.

Panis et circenses

fevereiro 10, 2009

inferno

O inferno

nem é tão longe.

Bem depois de onde

nada se esconde.

Mais perto

do que distante.

Não demora muito e ele

chega pra qualquer um.

O inferno…


Eu vim com a Nação Zumbi!

Show no metrô?

novembro 26, 2008

bhmusicstation

Uma vez na vida, outra na morte, alguém tem uma idéia boa em Belo Horizonte e o festival BH Music Station é uma dessas oportunidades que não podemos deixar passar. Na verdade eu falo com a mágoa de quem deixou passar uma vez e se arrependeu. Na oportunidade teriamos o show de Cássia Eller e Nando Reis (se não me engano). Agora imagina você perder um show destes. A Cássia Eller estava na fase pré-Acústico MTV e ainda não tinha “estourado” nas FMs do Brasil. O show (imagino) devia ser insano. Vendo o disco Veneno Ao Vivo sinto um pouco do que perdi. E tudo isso, pra completar, num ambiente totalmente improvável que era uma estação de metrô. A festa se chamava Karlsberg Music Station

Depois disso tudo estamos aqui novamente e vejo na rua: “BH Music Station, o retorno“. Quase caí pra trás! A festa mais saudosa estava de volta e pra ser perfeito, só faltava uma atração bacana, quem seria? Ah, os organizadores não iriam errar na mão, claro que não, e acertaram em cheio: Nação Zumbi!! Ca-ra-ca mer-mão!! Não! Não é o primeiro show da Nação que eu vou mas pensa só, Nação Zumbi no metrô!!! 

Certa vez quando estava em transe encontrei com o espírito de Chico Science e prometi a ele jamais perder um show de seus parceiros que eu tivesse a oportunidade de ir. Desde então tenho cumprido a promessa e a cada show reafirmo minha devoção vendo os sucessores do mangue mestre. Apenas uma vez eles tocaram na mesma cidade que eu estava e eu não pude ir, mas foi por causa nobre. É que no mesmo dia o Sepultura apresentava aos conterrâneos o novo baterista, também belorizontino, Jean Dolabella.

Eis então que nem tudo vai bem, talvez um outro evento se concretize logo no mesmo dia da Nação. Putz…É a Lei de Murphy??? Cacete de agulha!!

Mas deixemos de conversa e afinal de contas, serão 4 sábados de shows de madrugada nas estações de metrô. 

Para ver a programação completa acesse: http://bhmusicstation.com.br

Eu recomendo!