Posts Tagged ‘planet hemp’

Música – Conexão Vivo (20abr)

abril 21, 2009

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O Conexão Vivo (antigo Conexão Telemig) é um festival de música e artes em geral (desenho e animação) que mistura artistas consagrados e independentes.

O evento, com entrada a R$5-R$10,00,  faz o Parque Municipal, no centro da cidade,  de casa e leva para a mata grande estrutura de festa com dois palcos, barraquinhas de comida, bebida e etc.

Os shows deste ano são marcados por participações especiais. Assim, artistas iniciantes de destaque convidam consagrados para a canja.

Assim que chegamos o P.R.O.A estava no palco fazendo um instrumental de altíssima qualidade, mesclando as guitarras do rock com clarinete(?) e sanfona. Muito bom, mas, talvez pelo cedo da hora, o local estava incomodamente vazio. Achei inclusive que o dia não ia vingar. Ledo engano.

Terminado show fomos para o outro palco assistir a banda Black Sonora que iria começar em instantes. Eles tinham uma carta na manga que com certeza foi a responsável por boa parte daqueles que chegariam a lotar o lugar: Bê Negão.

Ele, o mais simpático dos ex-Planet Hemp e uma das figuras mais criativas do underground brasileiro. Ex-parceiro de Marcelo D2 em tempos de “legalize já” e que mais tarde fundou o Funk Fuckers e Bê Negão e os Seletores de Frequência.

Enquanto o parque ia enchendo o show começou e o Black Sonora já foi destilando o suingue e groove logo nas primeiras músicas. Português e espanhol. Música cubana e brasileira, rompendo as fronteiras.

De repente, no meio do povo, em frente ao palco, misturado aos mortais, como se fosse qualquer um, bebendo água, de óculos escuro e curtindo o som uma figura chama a atenção. Seria ele? Mas, sem causar nenhuma comoção ao redor? Nenhum chato querendo uma foto, nada? Sim, Bê Negão estava ao alcance de um braço e eu com a máquina na mão. Pensei, hesitei e vacilei. Melhor assim.

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Minutos depois se despediu da menina com quem conversava e foi para área reservada atrás do palco. Foi então que o vocalista do Black Sonora anunciou: “gostaríamos de ter a honra de convidar um carioca sangue bom pra subir aqui, chega aí Bê Negão!”

E o cara já entrou tomando conta não só do microfone mas de todo o palco. Animação contagiante em pessoa, a esta altura (não percebi) o parque já estava lotado!

Cantaram algumas do Black e também homenagearam a fase Racional de Tim Maia. Não sei porque meu ingênuo coração ainda cismava em viajar na maionese e pensava ‘será que tem espaço pra um Planetzinho?’… não!

No final Bê Negão elogiou a banda e mandou um abraço pra Rádio Favela e pro Baile da Saudade. Nessa hora me lembrei do D2. Se fosse ele a mandar abraços certamente o faria em nome do Pátio Savassi e de alguma grife bacana. Engraçado não? O grande crítico de outro dia, hoje, faz show em final de Big Brother e, sua última apresentação em Belo Horizonte (no Mix Garden) tinha ingressos (de segundo lote) ao preço módico de R$280,00.

Enfim, no fim do show percebemos a força do evento e o local que estava tomado por moscas, mal tinha agora espaço para trânsito. Ir ao outro palco foi um suplício e assim sendo optamos por sentar e degustar uma cerveja.

Enquanto a prosa rolava perdemos alguns shows e o último que assisti foi de Aline Calixto que fez um samba de primeira qualidade com as participações especiais de Edu Krieger (compositor) e do Rapper de BH, Renegado.

Hoje tem mais!

Música – Problema parecido, poesia diferente

março 1, 2009

jorgeplanet

Seu Jorge – Burguesinha

“Vai no cabeleireiro
No esteticista
Malha o dia inteiro
Pinta de artista

Saca dinheiro
Vai de motorista
Com seu carro esporte
Vai zoar na pista

Final de semana
Na casa de praia
Só gastando grana
Na maior gandaia

Vai pra balada
Dança bate estaca
Com a sua tribo
Até de madrugada

Burguesinha, burguesinha
Burguesinha, burguesinha
Burguesinha
Só no filé”

Planet Hemp – Puta Disfarçada

“Ei menina o que você tem na cabeça?
Só quer se maquiar e usar roupas de etiqueta

Parece uma boneca toda fantasiada

Mas quando olho por dentro eu não vejo nada

Você só pensa besteira e fala coisas banais
Conversar com você não me traz nada demais
Mas eu já disse que te odeio e senão disse: Puta!!

Veja como estou enxugue os olhos
E seque suas lágrimas eu não quero ver você chorando assim

Você é uma puta disfarçada e não serve pra mim

Eu disse puta disfarçada, pu-pu-puta!!

Cada novo problema gera outro de novo já estou de saco cheio
Você gosta de brincar com o sentimento alheio

Sentimento, aliás coisa que você nem tem
Você é tão puta que não consegue gostar de ninguém

A sua vida gira em torno de bens materiais e,
Felizmente nós não temos os mesmos ideais
Então não adianta querer me enganar
Porque eu logo lhe conheço pelo jeito de falar

Você não está lidando com nenhum otário
O seu padrão de beleza está na folha bancária

Você é uma puta disfarçada e eu um pobre operário
Eu disse puta disfarçada !

E lá vai você de novo com seu cara mais novo
Milhões e milhões são enganados por você
Mas eu só quero a sua buceta ou brincar com as suas tetas

Eu nunca tentaria ferir você
Mas você fudeu a minha alma agora eu vou te fuder
Você é uma puta disfarçada e vai se arrepender”

Carapuça serviu

Música – Planet Hemp

março 1, 2009

Em 1995, período de re-nascimento do rock nacional, o Planet Hemp apareceu lançando o disco ‘Usuário‘ que sacudiu todas as estruturas
da sociedade brasileira. Não só pelo rock, mas sim, pelas profundas discussões e controvérsias que causou.

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A banda, ‘Planeta Maconha’, se assume usuária da droga e defende abertamente a legalização. Nesse brincadeira muita gente “foi na onda” e
acabou experimentando. Outros, como eu, apesar de não serem usuários, passaram a defender o discurso coerente da banda.

Em 1997 o Planet Hemp foi preso, em Belo Horizonte, minutos antes de entrar no palco para mais um show sob a acusação de fazer apologia às drogas. A prisão fez explodir a discussão sobre a questão das drogas no Brasil inteiro.

Ainda me lembro que estava sozinho em casa, esperando a hora de descer pro show, quando meu pai me ligou dizendo “liga o rádio, acabou a festa, o Planet Hemp foi preso”.

Alguns dias após o acontecido, com ajuda de forte pressão popular e também de Fernando Gabeira, a banda foi solta e respondeu as acusações, das quais foram inocentados, em liberdade.

Me lembro também de acompanhar, ao vivo no Programa Livre (com Serginho Groissman), a leitura do veredicto final absolvendo a banda
das acusações. Logo em seguida cantaram “021” e “Queimando Tudo“.

Hoje, passada a confusão e com Marcelo D2 fazendo música que fala de passeio na Disney e Playstation 2, resolvi fazer um apanhado das frases do CD Usuário que eu concordo e aquelas que não concordo.

Se você sobe no morro p’ra buscar e leva porrada
se liga sangue-bom tem alguma coisa errada

não compre, plante.

cê pensa que eu fico louco por fumar uma erva
ela rompe as minhas barreiras me deixa com a mente aberta

polícia civil e federal só atacam traficante
que na verdade são testa-de-ferro de gente importante
militares e políticos sempre saem ilesos
estão envolvidos com o tráfico mas nunca foram presos

me chamam de marginal só por fumar minha erva porque
isso tanto os interessa já está provado cientificamente o verdadeiro poder,
que ela age sobre a mente querem nos limitar de ir mais além

o álcool mata bancado pelo código penal
onde quem fuma maconha é que é marginal e por que não legalizar?
E por que não legalizar? Estão ganhando dinheiro e vendo o povo se
matar tendo que viver escondido no submundo tratado como pilantra,
safado, vagabundo por fumar uma erva fumada em todo mundo é
mais que seguro proibir que é um absurdo aí provoca um tráfico
que te mata em um segundo a polícia de um lado e o usuário do
outro eles vivem numa boa e o povo no esgoto e se diga não às drogas,
mas saiba o que está dizendo eles põe campanha na tevê
e por trás vão te fudendo

legalize já porque uma erva natural
não pode te prejudicar

se informe antes de falar pra não se fuder
reveja os seus valores antes de me criticar
uma erva natural não pode me prejudicar

tabaco ou maconha
pergunte ao médico qual faz mal
e então pergunte ao deputado porque é ilegal

sinta os efeitos
que fazem a minha cabeça fumar um baseado e tomar uma cerveja
eu sou fora da lei por fumar uma erva
mas ninguém nunca me perguntou se isso me interessa

velhos impõe leis antes mesmo d’eu nascer
e será que eu sou obrigado a obedecer
falam sem se informar que ela faz mal
mas está mais que provado que o efeito é natural
este é o planet hemp tentando te alertar
que uma erva natural não pode te prejudicar

pra você poder sobreviver cê tem que ter boa educação
boa educação que eu tô falando não são boas maneiras
é saber distinguir o pó da poeira

porque maconha, meu irmão não pode te prejudicar,
não pode te prejudicar então é bom cê se ligar
cuidado vacilão, porque senão vou te apagar
porque de onde eu vim eu sei o gatilho é a lei

não deixe que a cultura abafe a realidade
maconha não mata e isso é verdade
cê pensa que todo maconheiro não presta
que esses safados tem que toma tiro na testa
mas pense bem, mas pense bem o que fazer
porque esse ódio e o preconceito podem estar apontados pra você
a solução pro planet hemp é legalize ganja.

fumo maconha porque não faz mal
está provado que o efeito é natural
me faz pensar e enxergar além
parece que isso incomoda alguém

para combater o tráfico é muito fácil é só matar
vão matando o favelado e nem pensam em legalizar
é revolta na favela que tá cansada de apanhar
assim como a polícia estão querendo se arrumar
lampião que tava certo são macacos do governo
ou te fazem emboscada ou te causam desespero.

os negros já fumavam erva antes da áfrica deixar
mas os senhores proibiram por fazer eles pensarem
e os senhores de hoje em dia estão proibindo também
se o pobre começa a pensar parece que incomoda alguém

Trabalho oito horas sete dias por semana
só por fumar uma erva eu vou entrar em cana
deputados cheiram bebem e não vão para prisão porque é ilegal?
Eles que lesam a pátria e sou eu o marginal

desde pequeno você é induzido a fumar
induzido a beber e vendo a tv falar
digam não as drogas use camisinha e para de brigar
mas beba muito álcool até a sua barriga inchar


Os cães ladram mas a caravana não pára

janeiro 16, 2009

caes

Esta é a história de uma decisão.

Foi preciso tomá-la.

Uma, a grande decisão.

É a história de um grupo de técnicos, de um grupo de trabalhadores, que confiaram num povo, e de um povo, que confiou no Rio de Janeiro…

Começamos praticamente do nada, eu gostaria de recordar a todos, duas coisas, simples e puras:

“-Quero ver a poeira subir e muita fumaça no ar.”