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Música – Conexão Vivo (21abr)

abril 22, 2009

conevivo

O Conexão Vivo do ano passado, além dos artistas independentes, contou com alguns nomes de peso para colorir a festa em seus shows principais. Desta forma, Nação Zumbi e Fernanda Takai fizeram os dias mais disputados.

Este ano a festa não conta com um graaande show, nem um graaande nome, assim, não causa graaande expectativa nem nada. Os nomes mais famosos (como Flávio Venturini, BNegão, Samuel Rosa, Naná Vasconcelos e John Ulhoa, etc) aparecem apenas como convidados e não como show principal. Talvez o nome mais pop seja Otto (que toca na próxima quinta-feira, amanhã), e ainda assim não me desperta grande empolgação.

Eu queria muito ter visto o show do Naná Vasconcelos (que era convidado de Kiko Klaus) mas acabou que na hora rolou uns desencontros, fila pra comprar fichinha, fila pra pegar cerveja, fila pro banheiro, fila pra tudo e acabamos não vendo nada. Fica pra próxima.

Antes disso assisti a estranha apresentação rock/brega de Cidadão Instigado. Os melhores momentos foram justamente cover de músicas brega cujo autores desconheço mas senti ali uma pontada de Reginaldo ou quiçá Odair José.

Depois veio o Falcatrua. Banda do antigo frontman do Tianastácia (em sua melhor fase) fazendo tributo à TIM em noite de VIVO (fala Markito!). Na verdade tocaram várias de Tim Maia e, em companhia de John Ulhoa (Pato Fu), redesenharam os clássicos Maia com a pulsação do rock. Não ficou sensacional mas foi divertido.

Em seguida, pra fechar a noite, Chico Amaral apresentou seu show instrumental. Lá pelas tantas chamou Marina Machado pra animar e terminou com a bela participação de Samuel Rosa.

O garoto Skank de cara já foi atacando de sucessos de sua banda e, pelo elevado da hora, quando rolou  a simpática “Ziilda é uma mulher…” aproveitei para subir ladeira e ir embora.

No caminho, já distante do show, ouvimos uma euforia inusitada vinda do público. Um clamor ardente, uma comoção. Gente, o que aconteceu? O óbvio seria, no final, Chico Amaral reunir no palco Samuel e Marina para fecharem os três a apresentação, porém, a comoção era muito maior àquela que imaginei, algo estava errado. De repente meu celular tocou, um amigo que ficou gritava: “Já saiu do parque?? Volta!! Milton Nascimento subiu ao palco e disse que vai quebrar tudo!!!”

Tá explicado. Tamanha euforia só se justificaria se um rei desse o ar da graça, e deu. Milton Nascimento, que no mesmo dia de manhã estava a cantar para o Governador Aécio Neves na cerimônia do 21 de abril em Ouro Preto, estava agora ali para dar uma força aos amigos Chico Amaral, Samuel Rosa e sua cordeirinha predileta, Marina Machado.

Resisti à tentação e fui embora sem olhar pra trás. Entrando no carro rolou Titãs – Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas.

Salve Milton!

Música – Cálix

março 16, 2009

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Estava eu voltando para casa após mais um dia de batalhas destemidas, não necessariamente ganhas, quando, não mais que de repente, o random do som me trás Dança com Devas do Cálix.

Grande Cálix! Do meu saudoso amigo e colega de engenharia, Rufino dos teclados hehe. O Cálix, junto de Cartoon e Concreto, embalou as calouradas do CEFET por gerações a fio. Eram sempre as mesmas bandas, mas era sempre excelente, porque mudar?

Destas, o Cálix era a mais zen, ou, a mais Jethro Tull de todas, com seus violões, melodias, guitarras limpas e flautas. Dança com Devas foi um hit marcante e era sempre muito bem acompanhada por Além do Vento e Canções de Beurin.  Depois, no outro disco, vieram as também ótimas Deserto e Looking Back. Um ponto alto do show, pra mim, era o cover de Paul McCartney (versão GunsRoses) da música Live And Let Die, além de momentos Jethro e Pink Floyd.

O Cálix é daquelas bandas, patrimônio de Minas Gerais, de talento, bom gosto e capacidade reconhecidas, porém, que não alavanca. Certa vez, numa cervejada no Shopping Rosa, dei um fora com o Rufino: “qual banda do cenário independente de Belo Horizonte, que é reconhecidamente boa, merecia estourar na sua opinião?” Ele foi categórico ao responder: “Cálix!” hehe bola fora minha. Mas concordo com ele, eles merecem!! Olha a quantidade de belezuras made in qualquer outro lugar do Brasil que somos obrigados a engulir goela abaixo e o Cálix aí cabisbaixo andando nas sombras.

Não só eles, mereciam estourar também Cartoon, Concreto, Zipados, Somba e por aí vai… Até o Tianastácia, na época de ouro, merecia ter tido mais espaço. Diesel então, merecia o mundo. Hoje é a vez do Zé Trindade buscar um lugar ao sol e enquanto isso Minas vai sendo representada por Pato Fu, Jota Quest e Skank, nenhum deles com a bandeira do rock from gerais, paciência.

O Cálix, em 2007, parecia que ia decolar de vez, quando gravou um DVD ao Vivo no Palácio das Artes. Infelizmente não deu muita repercussão (que eu saiba) e hoje ninguém lembra que eles existem.

Quer dizer, fizeram um show sexta e sábado passado com o grupo Amaranto no Minascentro e parece que foi bem legal, mas não deu pra conferir.

No mais, boa sorte à banda e não desistam nunca porque nós não desistimos de vocês! hehe

Quem quiser pode ouvir os clássicos no site da banda: www.calix.com.br

Música – Pop Rock Brasil 2008 – 25 anos

novembro 9, 2008

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Quando eu completei lá pelos meus 5, 6 anos de Pop Rock Brasil, já tinha uma certa idade nas costas e causava um alvoroço em casa quando dizia que estava indo pro show. O pessoal criticava dizendo que eu estava muito velho praquilo mas eu não ligava. O meu amor à música é incondicional e atemporal. Pretendo com meus 100 anos (amém) continuar frequentando os shows que possam existir na época. Mas o fato é que o próprio Pop Rock começou a desmoronar e então eu me prometi: “vou completar 10 anos!“. Infelizmente a história foi um pouquinho diferente e o festival ficou tão ruim que quebrei a promessa no 8o.

Em 1983, o Pop Rock Brasil se chamava apenas Rock Brasil e era um festival completamente diferente do que temos hoje. Tá certo que o Brasil e principalmente o cenário musical em Belo Horizonte estão diferentes mas mesmo assim a análise é válida. Não vivi esta época mas tenho relato de primos que dizem que os melhores shows que assistiram foram aí, a exemplo de Titãs, Barão Vermelho e Paralamas. O rock nacional estava agitado vivendo a glória do “Rock 80“.

Em 1994, só de ver as bandas que fizeram parte do ‘cast‘, percebe-se a preocupação do festival em promover a cena e firmar BH como cidade rock. Bandas como Raimundos, Chico Science, O Rappa e Virna Lisi, todas elas que estavam começando e não tinham estourado no cenário nacional, tocaram no Festival que comprovava seu pioneirismo e bom gosto.

Os anos de 1995 e 1996 passaram batido e não aconteceu o show. Talvez por crise, dificuldades financeiras, alta do dólar e do petróleo.. Eles tiveram que repensar na vida. Talvez o Rock Brasil não estivesse sendo lucrativo o suficiente. Então, em 1997, retomaram o projeto com algumas alterações. A começar pelo nome, virou POP ROCK BRASIL. Nesta primeira edição é possível perceber os novos conceitos por trás da festa e a lucratividade parece que passou a imperar. Eram dois dias de show (como de costume) mas o primeiro foi DIA DO AXÉ e o segundo DIA DO POP ROCK.

Dia do Axé???? Fala sério!!! Mas é verdade. Bandas como Cheiro de Amor, Daniela Mercury, Nepal e Pimenta Nativa tocaram neste ano. Este foi o meu primeiro Pop Rock e eu só fui no segundo dia, aonde tivemos Engenheiros do Hawai, Paralamas do Sucesso, Skank, Pato Fu e etc.

De lá pra cá foram muitos Pop Rock, muita festa, muito show, muita alegria e bons momentos. Me lembro de shows memoráveis como Cássia Eller, Planet Hemp, Sepultura (quem diria), Raimundos, Charlie Brown, Los Hermanos, Skank, Titâs, Capital Inicial, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, O Rappa e até Angra.

 

Coleção de Ingressos

Coleção de Ingressos

O problema começou quando as bandas que tocavam começaram a se repetir. Parece que o cenário nacional estava em crise então eles escalavam sempre os mesmos artistas, afinal de contas não se mexe em time que está ganhando. Me lembro bem do Biquini Cavadão dizendo “hoje é o 10o Pop Rock que nós tocamos!!“. Credo! O pior é que nesse meio tempo o Biquini quase não lançou discos e então o seu show é sempre baseado nos clássicos de uma época que já foi. No primeiro ano você vê a banda tocando Vento Ventania, Zé Ninguém, Impossível, Timidez e acha legal pra caramba. Dez anos depois eles estão tocando as mesmas músicas na mesma ordem e querendo manter a emoção?? Ah, pára ô!

Outro que cansou foi o Capital Inicial. Depois que ressurgiram das trevas com o Acústico MTV fizeram uns 3 shows bons no Pop Rock, os outros 200 foram mais ou menos iguais. Com isso o festival foi cansando a paciência de quem era fiel. Não tinha novidades, era sempre a mesma coisa. Entrava uma banda diferente aqui, outra ali, mas o esqueleto sempre o mesmo. Engenheiros-Capital-Titãs; Engenheiros-Capital-Titãs; Engenheiros-Capital-Paralamas; Biquini-Capital-Paralamas; Biquini-Nenhum de Nós-Paralamas; Biquini-Pitty-Capital. E por aí vai…

De todas as edições que fui, aquela que lembro com mais saudade foi o Pop Rock de 1999 Tributo à Legião Urbana. Inesquecível. “Com vocês, abrindo o Pop Rock Brasil, Legião Urbana!!” Todo mundo fez um minuto de silêncio e pôs a mão no coração, de repente um video de Renato Russo sozinho tocando violão apareceu e a emoção foi forte. Além disso todas as bandas eram obrigadas a tocar uma música da Legião e vieram performances maravilhosas como Cidade Negra cantando Tempo Perdido, Lulu Santos (lendo a letra) cantou Índios, Wilson Sideral (até tú tatu) cantando Pais e Filhos, Raimundos tocou Fábrica, Pato Fu tocou Eu Sei, Capital, Biquini e Paralamas tocaram Que País É Este e a mais difícil de todas, Faroeste Caboclo, foi magistralmente executada por Tianastácia.

 

O melhor Pop Rock

O melhor Pop Rock

Neste ano o Tianastácia havia sido o ganhador do “COMBATE(*) da época” para tocar no Palco Principal e acabou emocionando a platéia. Eu já era fã da banda e estava ancioso pelo show. Já o grande público talvez conhecesse Cabrobró. A banda tinha (se não me engano) 30 min para tocar e eles não quiseram errar a mão, tocaram uns 3 de seus ‘sucessos’ e partiram pra homenagem mandando de Faroeste. Ainda sobrava tempo. O que viria? Nos shows próprios eles costumavam tocar Killing in The Name do Rage Against The Machine então os fans presentes pediram a música em côro. Mas para surpresa geral eles resolveram variar e tocaram Rage, como esperado, porém a música foi outra: Bulls On Parade. Eu podia ter morrido ali.

Fora o problema das atrações principais do Pop Rock outras coisas tiravam o brilho da festa. A cada ano o ingresso ficava mais caro. A maldita ‘área VIP‘ ficava cada vez maior (lá na frente do palco). O preço das bebidas lá dentro beirava o absurdo. E um belo ano trocaram os belos sanduíches engordurados de pernil pela franquia McDonald´s. Como se não bastasse, a idade do público que frequentava começou a cair vertiginosamente. Hoje a idade mínima deve ser 9 anos e na propaganda diz “Traga seu pai e sua mãe!“. As bandas finalmente foram alteradas (algumas continuam claro) e agora o lema é agradar o público teen.

Esta 25a edição do Pop Rock é um trunfo do marketing e da comunicação de massa voltada para a máxima lucratividade. Eu imagino que não é fácil manter um festival durante tantos anos mas quer saber, me inclua fora desta!

Um amigo (satanás em pele de cordeiro) veio me tentar: “Tenho duas cortesias de camarote com bebida liberada pro sábado de Pop Rock, bora??“. Ai ai ai… isso não se oferece. Pensei em ir para fazer uma análise fria, ácida e objetiva de tudo o quanto fosse podre que estivesse por ali mas ao ver as bandas desanimei e fui fiel ao meu ideal. As bandas eram: Jack Tequila, Manitu, Sideral, Código B, NX Zero, Jota Quest e Maroon 5. Intragáveis! Cada uma merecia um post próprio mas não vem ao caso. Vamos nos concentrar então na atração internacional: Maroon 5.

This love has taken its toll on me, she said goodbye, too many times before…“. Sabe como que chama isso? One hit wonder. É quando uma banda só tem uma música. Não conheço, não quero conhecer e tenho raiva de quem conhece as outras músicas deles. Tá bom, eu até ouvi por alto mas só reforçou a suspeita. Como uma grande one hit wonder band, aproveitaram para vir ao Brasil e ganhar uns trocados antes que a fase passe.

Já o show de domingo reserva uma doce e inacreditável surpresa que, este sim, merece um post próprio(**). The Offspring. A pergunta que vem é, “O Offspring caiu ou o Pop Rock melhorou?

E alguém ainda tem dúvida?

poprock

(*) Disputa entre bandas independentes para tocar no Pop Rock.

(**) Vou me esforçar para ouvir o show do Offspring pela rádio, pela internet ou depois no YouTube e aí sim escrevo a respeito.