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Música – Sepultura / Kairos / Jean Dolabella

novembro 16, 2011

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O Sepultura sempre foi a minha banda preferida do coração. Às vezes mais, outras menos mas estamos lá, sempre juntos desde 94, 95 quando peguei o bonde andando e não desci mais.

O primeiro contato foi através da MTV que anunciava o clipe de Roots Bloody Roots e me incentivou a comprar o primeiro CD da banda, Roots.

Rapidamente percebi que existia uma grande e gloriosa história que precedia e construía uma base sólida e que nos traria ao fantástico Roots. Essa história era ilustrada por álbuns como Chaos AD, Arise, Schizophrenia, Benneath the Remains, Bestial Devastation e outros afora.
Pouco depois que elegi esta como a banda guia veio a primeira tragédia, Max Cavalera abandona o grupo.

Ferida incurável! Mas amenizada pela entrada do excelente Derrick Green.

O livro ‘Sepultura – toda a história’ ilustra melhor estes anos gloriosos até a transição para o vocalista americano.

Me senti culpado por não ter curtido a banda antes e vivenciado momentos históricos como o show que o Sepultura (com Max) fez com o Ramones e Raimundos em Belo Horizonte.

Haja visto que nenhuma das três bandas existem mais (pelo menos da forma como eram), quem foi neste show hoje em dia deveria excursionar pelo país fazendo palestras dizendo como foi aquela tarde histórica.

Como eu não podia mais me dar ao luxo de perder momentos históricos, quando o Sepultura anunciou o primeiro show em BH, em 1999 com o vocalista novo, eu, é claro, não poderia ficar de fora.

E sim! Foi histórico. Me lembro de estar grudado no palco como um metaleiro inconsequente quando de repente Andreas, Paulo, Igor e Derrick entram andando no palco, sem cerimônia e o ambiente vira uma panela de pressão prestes a explodir aos primeiros acordes de “Spit”. Foi foda, foi tenso, foi ducar*lho!

Vieram os discos Against, Roorback, Sepulnation, Dante XXI e etc, quando não mais que de repente Igor também anuncia, ‘estou fora!’

E agora, o que será do Sepultura? Jogar as baquetas, fechar o buteco? Não!! Para alegria geral da SEPULNATION eles conseguiram encaixar outro grande baterista Jean Dolabella e para alegria maior ainda dos belorizontinos old school de plantão o rapaz também era mineiro, beozonte, roqueiro, gente boa e de outra banda importante na história da cidade, o Diesel. Só restava saber se a química entre os novos quatro seria tão forte como aquela que um dia consagrou a banda.

O primeiro teste foi em outro show lendário que tive o prazer de testemunhar em Belo Horizonte. O primeiro do Sepultura com Jean na capital mineira. Sai de lá com excelentes sentimentos e com a impressão de que um helicóptero estava estacionado no palco durante a apresentação. Era a fúria bumbo duplo do ex-Diesel.

Se ao vivo o rapaz era digno de substituir um Cavalera restava a dúvida do estúdio. O seu primeiro disco A-lex dava dicas de que a nova arquitetura, apesar de ainda não estar 100%, poderia retomar os dias de paixão.

E foi então que finalmente, em 2011 o Sepultura finalmente se reencontra e, emanando o poder do Deus do Metal, lança aquele que talvez possa ser considerado o melhor disco desde o saudoso Roots de 95: KAIROS.


A banda estava completa. Harmonia, poder e sucesso. Num álbum que homenageia a sua própria história destacam-se os riffs bem construídos das guitarras a solidez do baixo e a potência destrutiva da bateria e do vocal.

Elogios vinham da Europa, dos EUA, do Brasil e do… Rock in Rio! Escalados para tocar no palco secundário o Sepultura bateu forte na cabeça e conseguiu abafar o tal do Glória (banda emo e sem história) que inexplicavelmente ($erá?) tocava no palco principal.

É, os bons dias estavam de volta. Para mim só faltava uma coisa, presenciar, em mais uma sequência de momentos históricos, a performance de Kairos ao vivo. E o tão aguardado dia chegou, numa sexta-feira: 11 do 11 do 11.

Que pena, mal sabia eu que este dia peculiar seria muito mais histórico do que eu imaginava…

O show em si foi quase impecável. ‘Quase’ porque cheguei atrasado e fiquei num lugar ridículo para assistir e também porque justamente achei que a banda iria valorizar mais a nova fase tocando mais músicas de Kairos/A-lex/afins do que os ditos ‘clássicos’ do Sepultura.

Apesar de serem músicas fantásticas criadas por 50% dos caras no palco, e que merecem total reconhecimento pela sua criação, ainda assim ver o novo Sepultura tocando qualquer coisa pré-Derrick, soa como banda cover. Principalmente quando boa parte do show é dedicada a estas músicas e a platéia, é claro, responde melhor a elas.

Eu, por ter feito o dever de casa, preferia um Kairos na íntegra com algumas do Dante XXI, A-lex, Roorback e, num determinado momento, aquele saudosismo com Desperate Cry, Troops of Doom, Inner Self, Territory e Roots Bloody Roots.

Mas tudo bem, seria hipocrisia minha reclamar de um show com um setlist privilegiado destes. Saí de lá novamente com a alma lavada e sensação de mundo melhor.

Hoje, quando estou lendo a resenha do show no Mondo Metal, logo abaixo da frase que diz que a competência de Jean Dolabella nas baquetas não fez ninguém sentir falta de Igor Cavalera, estava a notícia:

Após 5 anos, Jean Dolabella deixa o Sepultura.

Fui pego de surpresa! Como assim? Após a sintonia? Após Kairos? Após o tapa de luvas negras do Rock In Rio?

Não sei o que dizer…

Só resta novamente, agradecer ao Jean por também escrever páginas brilhantes na biografia da banda e mais uma vez desejar, do fundo do coração força e sorte ao SEPULTURA!

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Música – Shows de abril

abril 18, 2011

Apesar de Setembro ser visto por muitos como o mês da música de 2011 no Brasil, devido ao mega evento Rock in Rio, abril também trouxe boas surpresas e artistas de relevância até maior do que aqueles que vão se apresentar no festival que mantém o ‘rock‘ praticamente só no nome.

Foram três shows fantásticos praticamente na mesma semana, que sacudiram o mercado e fizeram a alegria dos fãs. Ozzy Osbourne, U2 e Roxette. Todos eles em turnê pelo Brasil fazendo shows em várias capitais, com exceção do U2 que ficou apenas em São Paulo reservando 3 dias na agenda para o público brasileiro.

O primeiro foi o Ozzy, que fez um show antológico (como de costume) no Mineirinho e que apesar da tradicional e conhecida péssima acústica do local conseguiu empolgar a platéia com seus clássicos e presença de palco. O show começou pontualmente no horário marcado e eu inclusive desconfio que deixou muita gente do lado de fora se estapeando na fila. Sorte a minha que entrei antes, comprei umas latinhas e consegui pegar um bom lugar na pista para ver o Príncipe das Trevas mais uma vez.

A primeira vez que vi o Ozzy foi em 2008 em São Paulo quando lançava o disco Black Rain e teve o show aberto por Black Label Society e Korn. O evento em si foi espetacular e emocionante, talvez pela minha ansiedade de ver o Madman pela primeira vez ou talvez pela organização dos paulistas ser mais elegante que a nossa. Nesse show, antes do início, Ozzy ficou fazendo umas gracinhas do tipo conversar com a platéia dos bastidores enquanto o povo ia à loucura ao ouvir suas risadas nos alto falantes do Morumbi. Aqui no Mineirinho não teve esse suspense. O show estava marcado para 21h (ou era 22?) e teríamos ainda a banda de abertura Hibria. Para minha surpresa o Hibria tocou antes do horário marcado e na hora do convite já estava lá Ozzy no palco. Sem cerimônia e sem emoção ele simplesmente entrou, cantou e foi embora. Sorte que é o Ozzy.

Seu novo guitarrista, diga-se de passagem, mostrou a que veio e convenceu o público de suas habilidades fazendo solos cinematográficos e fantásticos, ganhando a simpatia do público ao puxar um trecho de ‘Brasileirinho’ durante um momento Guitar Hero da noite. Mas mesmo assim essa performance não foi tão marcante quanto ver o troglodita Zakk Wilde solando, sangrando e manchando a guitarra branca de vermelho no show passado. Mas em questão de repertório o Mineirinho agradou mais, inclusive na fase Black Sabbath de onde tivemos Paranoid, War Pigs, Iron Man (inteira!) e a linda Faries Wear Boots. Já da fase solo vieram as tradicionais e esperadas Mama I´m Coming Home, Bark at the moon, Crazy Train, Mr. Crowley, Suicide Solution, I Don´t Know e outras. Além é claro da música atual de trabalho, Scream.

Uma bronca que eu tenho do Ozzy e de seus shows é o fato dele simplesmente ignorar o disco que eu mais gosto, Ozzmosis de 1995. Disco maravilhoso e inigualável que põe no chinelo os últimos Scream e Black Rain, e de onde saíram músicas fantásticas como Perry Mason, Ghost Behind My Eyes, Denial, Old LA Tonight e todo o restante. Mas fazer o que né, vai discutir com o Príncipe das Trevas? 🙂

O segundo show da lista foi o U2, que dispensa apresentações. Tudo que cerca o U2 é grandioso e espetacular, numa raríssima mistura de qualidade musical com aparato tecnológico e infra estrutura de show. A atual turnê 360º não é apenas a turnê mais bem sucedida (financeiramente) de todos os tempos, mas deve ser também a mais incrível já projetada e executada. Com o palco monstruoso no meio do gramado é impossível não se impressionar mesmo que a distância. Este show infelizmente eu não fui e por enquanto com relação ao U2 vou me contentando com as ótimas lembrancas da POP MART Tour que vi, também em SP, em 1998.

Finalmente o último da lista é o saudoso, emocionante e carismático Roxette. Há tempos atrás, vendo uma onda de reuniões musicais que estava acontecendo na música, quando bandas que já tinham acabado voltavam à atividade para sacudir os fãs (e ganhar um trocado) eu fiz um exercício de imaginar qual banda de antigamente eu gostaria de ver e me lembrei da dupla sueca do Roxette. Me lembro bem da primeira fita K7 que comprei na vida e foi justamente o disco Joyride em 1993. Jamais imaginaria que 18 anos mais tarde estaria eu num ginásio lotado em Belo Horizonte aplaudindo clássicos desse disco executados pela lendária dupla Marie Fredriksson e Per Gessle de forma acústica ao violão. Foi realmente algo memorável e de se emocionar.

Por falar em ganhar o público, o que o guitarrista do Roxette fez foi de envergonhar o guitar hero do Ozzy que achou que a sacada ‘Brasileirinho’ já era o suficiente. O rapaz foi além e numa jogada extremamente feliz conquistou a todos executando de forma dramática as notas de “Ó Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais, ó Minas Gerais.

Com quase uma hora (perdoada) de atraso, o Roxette entrou no palco e de cara atacou de Dressed For Success, seguida de Sleeping in My Car do disco Crash Boom Bang. Daí pra frente o show foi uma mistura de músicas desconhecidas (pelo menos por mim) e clássicos de todos os tempos de tirar o fôlego. Coisa que faria até sua avó virar os olhinhos ao ouvir ao vivo baladas como It Must Have Been Love e Spending My Time. Tivemos ainda Joyride, Church of Your Hear, Perfect Day, Things Will Never Be The Same, Watercolors in the rain, How Do you Do?, Dangerous, Listen to your hear e outras. Algumas delas, como dito, só na voz e violão, fazendo o público suspirar ao ritmo do casal.

Pois bem, com tantas boas opções de show musical não foi a mitologia do criador do Heavy Metal nem a grandiosidade do U2 que mais me empolgaram e sim o jeito simples e perfeito do Roxette que numa mistura de competência e saudade cravaram o mês de abril de 2011 num mês de saudade eterna e carinho no coração daqueles que apreciam uma boa e histórica apresentação ao vivo.

Música – Kill ´Em All!!!!!!!!

outubro 28, 2009

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Uma cena que eu não esqueço aconteceu no segundo show de rock que eu fui na vida. 1996, Ginásio do Minas, Raimundos, Carne Crua e uma banda de axé. A festa, promovida por uma rádio pop cretina, teve a ultra infeliz ideia de misturar no mesmo palco uma banda de axé com uma banda de rock.

Na época, boom do axé, estava na moda a tal da dança do bumbum e dança da garrafa. Todos os roqueiros do país sentiam ânsia de vômito ao menor sinal destas manifestações “artísticas” e quando percebemos a audácia de alguém ao escalar estes infelizes para abrir o show do Raimundos (na época, turnê do disco Lavô Tá Novo ou seja, época de ouro) pensamos que a banda teria o bom senso de não aparecer, mas apareceram. E foi ótimo! Me deram de presente uma inesquecível lembrança para o resto da vida. Primeiro apareceu o palhaço animador de festa da tal rádio patrocinadora que fez questão de vangloriar o pioneirismo da rádio ao desfazer preconceitos e incentivar a diferença. Axé e rock? Ha! Manda ver! Foi então que entraram no palco os quase 50 músicos da banda de axé acompanhados por duas mulheres peladas (como de costume). Não teve jeito. Com o perdão da expressão, foi o coro de “vai tomar no cú” mais lindo que eu já vi na vida. 5 mil pessoas vestidas de preto e erguendo o braço com raiva naquele gesto singelo. Foi demais! Mas infelizmente não o suficiente para intimidar os axezeiros que continuaram a apresentação até o final. O jeito então foi a plateia sentar no chão e se dispersar pela pista curtindo um péssimo som ambiente de costas para o palco. Ao final da apresentação, o primeiro nuance de guitarra do Carne Crua (que fazia cover de Barão Vermelho) foi o suficiente para causar correria e tocar fogo novamente preparando o clima para o inferno que viria.

Outra cena interessante (essa eu não aprovei muito) mas que merece o destaque histórico foi a chuva de latinha que Carlinhos Brown tomou no Rock In Rio 3 quando fazia seu show . Foi uma falta de respeito com o artista mas por outro lado, tenhamos bom senso. Uma plateia ensandecida aguardando históricos shows de Oasis e Guns N´Roses merecem ouvir  ‘A namorada, tem namorada’?? Latinha nele!!
Por pouco não colocam o doidão alfagamabetizado no dia de Sepultura e Iron Maiden aí eu queria ver, era homicídio culposo.

Pois bem, de volta a 2009, o babado do momento anuncia mais um destes momentos pra lá de histórico. Se tudo for confirmado e der certo, Salvador poderá se transformar no confronto de tribos mais brutal e voraz de todos os tempos, aonde somente um sairá vivo.

Que o Metallica planeja tocar no Brasil em janeiro de 2010 não é novidade nenhuma, mas a sua apresentação no Festival de Verão de Salvador pegou muitos de surpresa, e tem mais, com sérias chances de ser no mesmo dia de Ivete Sangalo. Oh glória! Será??

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Música – Chinese Democracy

novembro 13, 2008

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No início dos anos 90 não tinha menina que não derretia com o assobio e dedilhado de ‘Patience‘, balada do Guns n´Roses. Já os meninos curtiam a farofa Sweet Child O´Mine ou viajavam no clima envolvente de November Rain que acabava com Slash em cima do piano arrancando lágrimas de sua guitarra.

Eu tinha uma fita K7 do álbum Appetite for Destruction que não saía do meu saudoso walkman. Mais tarde, de carro, a mesma fita rodava, virava, rodava e virava animando a direção.

Quando comecei a arranhar o violão fiz logo questão de aprender Patience e deixei muita perereca pingando com essa música.

KKKKKkkk!! desculpe a piada! Mas foi irresistível.. Em lembrança do grande Rubens.

Pois bem, o último lançamento bombástico do Guns, salvo engano, foi o excelente registro ao vivo chamado Live Era. Nesta altura a banda já tinha se separado e ficou Axl de um lado e o resto do outro. Claro que o resto era 90% Slash e 10% de uns caras com nome de cerveja(*)

Mil anos depois quando o mundo esperava que a briguinha da banda acabasse, Slash anuncia o nascimento do Velvet Revolver (com seus amiguinhos mais o ex-vocalista do Stone Temple Pilots) e joga um balde de água fria na galera. Já Axl arregaça as mangas e monta um novo Guns n´Roses.

Esta nova formação se apresentou no Rock In Rio 3 (no Rio(**)) e fez um show saudosista e competente. Eu fiquei até altas horas da madrugada em frente a TV só para testemunhar o retorno da trupe e valeu a pena.

Passada apresentação renasceram rumores a respeito de um disco de inéditas do Guns. O tal disco já teria até nome: Chinese Democracy. E começaram as especulações a respeito da data de lançamento. Desde aquela época que Axl dá entrevistas falando que em poucos meses o disco sai. Só nessa brincadeira já se foram quase 8 anos e o mundo não se cansa de esperar.

Desta vez, porém, parece que a coisa anda, a data final de lançamento do disco é dia 25 de novembro e alguns veículos de comunicação já tiveram acesso ao material oficial que vai ser lançado. Como por exemplo esta matéria do Site da Abril.

Só nos resta então esperar para por as mãos no disco mais cozinhado da história do rock e ver se a gestação compensou ou enterrou de vez o homem dos shortinhos apertados.

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(*) Duff McKagan, lembra a cerveja dos Simpsons

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(**) Depois dessa palhaçada de Rock In Rio Lisboa, é sempre bom frisar qual RIR foi no Rio.

Música – Udora na Malhação

outubro 26, 2008

Gustavo Drummond que me desculpe mas não posso ver isto e fingir que lá fora o céu ainda é azul e todas as pessoas são felizes. Infelizmente uma parte de mim morreu com este cartaz. Quando você é rockeiro e curte uma banda alternativa adora escarçar as bandas comerciais, os programas de auditório, as rádios FM e todo o seu público iludido. Mas quando você descobre que esta banda também precisa ganhar dinheiro e que lá no fundo ela também é comercial, é um choque. Você começa a questionar a própria vida. Mas é necessário saber separar as coisas. Dentro deste universo de influências, mídia, modismo, panelinha, dinheiro, imposição e até sorte, ainda é possível a uma pessoa de bem identificar características interessantes como inteligência, bom senso, criatividade e talento no meio musical. Quando estas características encontram a oportunidade e nasce um sucesso, tudo bem, abrace a causa. Agora, quando a coisa é planejada, manipulada e empurrada fica difícil de engulir. Com relação ao Udora eu não sei dizer o que aconteceu. Esta trilha de Malhação não deixa de ser mérito deles e “bom” pra carreira, mas o que acontece é que eu me cansei. Cansei de dar colher de chá. Cansei de esperar as coisas melhorarem. Cansei de tentar entender o lado dos caras. Eu não quero saber o lado dos caras! Eu não quero rock de butique nem de faz-de-conta.

Mas porque de toda esta raiva e agonia? Porque não simplesmente ignorar o fato igual ignoramos tanta gente horripilante que cruzamos por aí? Para entender precisamos voltar alguns anos e encontrar outra banda: O Diesel. Em 2001, antes do Rock In Rio (no Rio) rolou uma tal de “Escalada do Rock” que era uma disputa entre bandas independentes de todo o Brasil para ver quem iria tocar no Palco Mundo do festival. Para minha surpresa a banda que estava liderando a parada era de Belo Horizonte e tinha um som furioso. Era o Diesel. Para alegria de todos os Belorizontinos a banda ganhou e teve o privilégio de tocar no mesmo palco aonde no mesmo dia ainda tocariam Deftones, Silverchair e Red Hot Chili Peppers. Eu estava presente naquele momento e fiquei impressionado com as pessoas que estavam na frente do palco com cartazes e camisetas dando o seu apoio aos amigos que chegaram ‘lá’. Rapidamente busquei mais informações e descobri o álbum que justificava tanta algazarra, era o primeiro e único CD do Diesel. Uma bomba, uma granada, uma belezura!

O que aconteceu então neste meio tempo para chegarmos até aqui? Bem, os caras se recusaram a assinar com uma gravadora (conforme ‘prêmio’ pelo Rock In Rio), foram morar nos Estados Unidos e tiveram que mudar de nome (virou Udora), lançaram mais um ótimo disco (Liberty Square), brigaram entre si, voltaram pro Brasil, teve troca de integrantes(*) e anunciaram que iriam cantar em português. Pouco tempo depois chegou às lojas o GoodbyeAlô.

Hoje quando escuto o velho Diesel sinto felicidade em saber que se trata de outra banda e ouvindo o Liberty Square sinto penar pelo fato de terem resolvido manter o nome.

Mas nem tudo está perdido, no GoodbyeAlô  algumas faixas são ouvíveis e pelo menos credibilidade comprovada os caras tem. Nos resta agora acompanhar os acontecimentos e esperar que algum dia estes iluminados mineiros possam recobrar o juízo e consciência antes que chegue o dia onde eles vão precisar “colocar uma loira e uma morena em cada canto do palco“(**).

(*) Jean Dolabela abandonou o posto de baterista e foi substituir Igor Cavalera no Sepultura.

(**) A frase foi dita pelo próprio Gustavo Drummond (vocalista) no Rock In Rio quando ele, em discurso, se vangloriava do sucesso alcançado com a banda sem precisar apelar. Curiosamente não achei o video no youtube…